Ataques suspendem produção de petróleo no leste líbio--rebeldes

A produção dos campos petrolíferos sob controle dos insurgentes, no leste da Líbia, foi interrompida depois de eles serem atacados por forças leais ao líder líbio, Muammar Gaddafi, disse na quarta-feira um porta-voz dos rebeldes.

ANGUS MACSWAN, REUTERS

06 Abril 2011 | 16h59

De acordo com o porta-voz Hafiz Ghoga, no reduto rebelde de Benghazi, poços petrolíferos da área de Misla e Waha foram atingidos por artilharia de Gaddafi na terça-feira e quarta-feira.

"Esses poços são os que bombeiam óleo para Tobruk", afirmou. "Eles pararam de bombear hoje (quarta-feira)."

Os dois campos estão no deserto, a centenas de quilômetros ao sul da cidade de Ajdabiyah, que está sob controle dos insurgentes. Os rebeldes estão tentando retomar as exportações para levantar recursos para suas ações.

Segundo Ghoga, as forças de Gaddafi atingiram o campo 103 de Waha na quarta-feira e Misla na terça. Antes, haviam desfechado um ataque nessa área no domingo.

"Nós negociamos no mercado o que tínhamos em reserva em Tobruk. Temos 1 milhão de barris (em reservas)", declarou o porta-voz, acrescentando que até terça-feira os campos do leste sob controle rebelde estavam bombeando 100 mil barris por dia. Ainda estão sendo avaliados os danos do último ataque.

"Não foi um ataque aéreo, foi lançado de terra, usando veículos. Os veículos levavam a artilharia", disse ele.

PRIMEIRO CARREGAMENTO

O petroleiro Equator, de bandeira liberiana, partiu de Marsa el Hariga, perto de Tobruk, na manhã da quarta-feira, aparentemente levando o primeiro carregamento de petróleo vendido por rebeldes desde o início do levante contra Gaddafi, em fevereiro, disseram fontes do setor de navegação.

Ghoga acrescentou: "Esperamos que a produção continue no mesmo ritmo anterior, mas nossa produção foi afetada por causa dos danos aos nossos poços, causados pelos equipamentos militares de Gaddafi."

"Temos uma quantidade de petróleo que precisa ser comercializada pra que a produção não pare e cause problemas. Está no porto de Marsa el Hariga, mas o coronel Gaddafi está tentando impedir nossos esforços por meio de ataques aos campos petrolíferos."

Antes da revolta contra Gaddafi, a Líbia produzia cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia e exportava cerca de 1,3 milhão de barris diários.

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