Atentado mata irmão de presidente do Parlamento sírio

Explosões atingiram um bairro de Damasco onde vivem membros da seita alauíta, do presidente Bashar al Assad, e pistoleiros mataram o irmão do presidente do Parlamento, numa escalada da violência na capital síria.

MOHAMMED ABBAS E KHALED YACOUB OWEIS, Reuters

06 de novembro de 2012 | 20h38

A Grã-Bretanha sugeriu a hipótese de oferecer imunidade judicial a Assad para convencê-lo a deixar o poder. A oposição disse que pelo menos mais cem pessoas foram mortas, em meio a uma revolta que já dura 19 meses.

"Qualquer coisa, qualquer coisa para tirar o homem do país e termos uma transição segura na Síria", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, à emissora de TV Al Arabiya, durante visita a Abu Dhabi.

A imprensa estatal síria disse que pelo menos dez pessoas morreram e 30 ficaram feridas em uma explosão no bairro de Hai al-Wuroud, na zona noroeste de Damasco.

O bairro, no alto de um morro, fica perto de quartéis, e ali vivem muitos militares de elite e membros da seita minoritária alauíta, uma variação do islamismo xiita. A rebelião da Síria envolve principalmente membros da maioria sunita.

Ativistas da oposição disseram que três explosões foram ouvidas em Hai al-Wuroud, e que pelo menos 15 pessoas foram mortas. Um carro-bomba explodiu perto de um shopping center no bairro miscigenado de Ibn al-Nafis, deixando vários mortos e feridos, segundo essas fontes.

Funcionários do governo e suas famílias cada vez mais se tornam alvos de atentados na Síria. Entre as vítimas estão parlamentares, funcionários do partido Baath (governo) e até atores e médicos vistos como simpatizantes de Assad.

A TV estatal disse que pistoleiros assassinaram Mohammed Osama al-Laham, irmão do presidente do Parlamento, no bairro de Midan, na capital. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado.

Estima-se que 32 mil pessoas já tenham morrido na guerra civil síria. O enviado de paz para o país, Lakhdar Brahimi, alertou para o risco de que a Síria se transformar em um Estado falido, como a Somália.

Buscando uma frente comum contra Assad, várias facções da oposição estão reunidas no Catar. A oposição permanece dividida entre grupos laicos e islâmicos, civis e armados, exilados e ativistas que permanecem no país.

Mais de cem pessoas foram mortas em diversos lugares da Síria na terça-feira, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, um instituto pró-oposição que funciona na Grã-Bretanha e compila os relatórios de ativistas.

Relatos enviados por ativistas ao grupo deram conta de que 17 pessoas, inclusive mulheres e crianças, teriam sido mortas em bombardeios aéreos em Kfar Batna, um subúrbio de Damasco. Imagens divulgadas na internet, cuja autenticidade não pôde ser confirmada, mostraram uma criança com a cabeça arrancada, e o tronco de um rapaz com a cabeça e os membros deixados ao seu lado por socorristas.

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