AP Photo/Hadi Mizban
AP Photo/Hadi Mizban

Atentado reivindicado pelo EI deixa ao menos 143 mortos em Bagdá

De acordo com autoridades, outras 195 pessoas ficaram feridas em explosão de carro-bomba em rua comercial da capital do Iraque na madrugada, durante as compras para a festa final do Ramadã

O Estado de S. Paulo

03 Julho 2016 | 08h44

BAGDÁ - Pelo menos 143 pessoas morreram e outras 195 ficaram feridas neste domingo, 3, em um atentado com carro-bomba em Bagdá reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), no pior ataque na capital iraquiana em 2016. Foi também o terceiro grande ataque do EI contra civis em diferentes países nos últimos dias.

O atentado ocorreu em uma rua comercial da capital iraquiana, no bairro de Karrada, no começo da madrugada deste domingo - em razão do jejum ao longo do dia, é comum os muçulmanos prolongarem as noites na rua - onde muitas pessoas estavam reunida para comer e fazer compras antes da festa para marcar o fim do Ramadã, na próxima semana.

Foi também o primeiro grande ataque a capital iraquiana desde que o Exército do país recuperou o controle de Falujah no mês passado. A cidade esteve sobre controle dos extremistas por 2 anos de meio - nenhuma outra cidade no próprio Iraque ou na Síria foi comandada tanto tempo pelo EI - e muitos iraquianos temiam que os jihadistas intensificassem os ataques a Bagdá em retaliação.

A explosão do carro-bomba é o terceiro ataque recente atribuído ou assumido pelo grupo depois de na sexta-feira o EI assumir a responsabilidade pelo ataque a um restaurante em Bangladesh que deixou 20 mortos - a maioria deles, estrangeiros - e de, na semana passada, as autoridades turcas atribuírem aos extremistas a autoria das explosões no aeroporto de Istambul que mataram mais de 40 pessoas.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider Abadi, se dirigiu ao local do atentado e prometeu punir os responsáveis, mas os iraquianos estão furiosos diante da incapacidade do governo de impedir este tipo de ataque. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra homens lançando pedras contra um comboio que aparente ser o de Abadi.

A explosão também provocou danos relevantes. Várias lojas e imóveis foram arrasados pelas chamas, em incêndios que continuavam ativos mais de doze horas após o atentado. O último ataque de grande porte do EI em Bagdá ocorreu em 17 de maio. Na ocasião, um duplo atentado deixou 50 mortos e mais de 100 feridos.

A explosão neste domingo volta a colocar em evidência o governo iraquiano e sua capacidade para detectar e conter o grupo extremista. Muitos questionam a eficácia dos detectores de explosivos e dos controles para entrar na capital, considerando que não são suficientes.

Capacidade de ataque. O ataque dos extremistas ocorreu dois dias após o Pentágono anunciar a morte de dois chefes militares do EI em um ataque da coalizão liderada pelos americanos perto de Mossul - a única grande cidade ainda sob controle do grupo - em 25 de junho.

No bombardeio "morreram Basim Mohamed Sultan Bajari, o vice-ministro de guerra do EI, e Hatim Talib Hamduni, um comandante militar de Mossul", segundo a mesma fonte. Ambos eram dois dos "principais responsáveis militares do EI no norte do Iraque" e sua morte permite "preparar o terreno para que as tropas iraquianas libertem Mossul com o apoio da coalizão".

Os Estados Unidos esperam concluir a campanha militar contra o grupo Estado Islâmico até o fim do verão de 2017. Segundo o diretor da CIA, John Brennan, embora o EI tenha perdido terreno em seus redutos de Iraque e Síria, mantém intactas suas capacidades para cometer atentados terroristas.

"À medida que a pressão aumentar" sobre o EI em terra, "acreditamos que (os jihadistas) intensificarão" seus esforços para manter sua posição de organização terrorista mais forte do mundo, disse Brennan em junho.

O enviado da ONU para o Iraque, por sua vez, condenou um "ato covarde e odioso de proporções sem igual" e convocou as autoridades a levar os responsáveis à justiça. / NYT, AFP, EFE e REUTERS

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