Atentados com carros-bomba matam mais de 130 em Bagdá

Dois veículos foram usados contra prédios governamentais, no pior ataque do ano; quase 600 ficaram feridos

Reuters,

25 de outubro de 2009 | 10h20

Atentado atingiu prédio do Ministério da Justiça iraquiano, que ficou destruído. Foto: Hadi Mizban/AP  

 

BAGDÁ - Dois carros-bomba explodiram em dois prédios do governo iraquiano em Bagdá neste domingo, 25, matando mais de 130 pessoas e ferindo outras centenas. O ataque foi o mais violento do ano no país. O número de mortos pode chegar a até 150.

 

A violência no Iraque havia diminuído desde que xeiques tribais apoiados pelos Estados Unidos conseguiram enfraquecer o poder de militantes da Al Qaeda e Washington enviou mais tropas. Contudo, os ataques continuam comuns num país que está tentando se reconstruir de anos de conflitos, sanções e revoltas populares.

 

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As duas explosões fizeram tremer edifícios na área perto do rio Tigre e lançaram ao ar colunas de fumaça. A primeira explosão tinha como alvo o ministério da Justiça e a segunda, que aconteceu menos de um minuto mais tarde, atingiu um edifício do governo provincial, de acordo com a polícia.

Relatos de diferentes fontes informam que entre 130 e 136 pessoas morreram nos atentados. Quase 600 ficaram feridas.O porta-voz do governo Ali al-Dabbagh disse que estava num hotel quando as bombas explodiram e que ele e outras pessoas que estavam próximas ficaram cobertos de cacos de vidro. Ele disse suspeitar que militantes da Al-Qaeda ou pessoas leais ao antigo governo de Saddam Hussein seriam os responsáveis pelo ataque.

"A análise inicial mostra a impressão digital da Al Qaeda ou dos baatisas (do partido de Saddam)," disse Dabbagh, que estava no hotel al-Mansour no momento do ataque. O hotel é a sede da embaixada chinesa e de várias organizações de mídia estrangeira. Ninguém ali ficou gravemente ferido.

A rua próxima ao governo provincial foi inundada de água e os bombeiros retiraram corpos carbonizados e despedaçados das ruas. Carros queimados na explosão foram empilhados. Os trabalhadores da emergência fizeram buscas com guindastes pela fachada do ministério da Justiça e retiraram corpos que eles enrolavam em cobertores.

"Não sei como ainda estou vivo. A explosão destruiu tudo. Nada está no seu lugar," disse o dono de uma loja que fica perto do ministério, Hamid Saadi, por telefone. Um funcionário do ministério da Saúde disse que os hospitais de Bagdá haviam recebido 50 corpos e 460 feridos.

Conflito sectário

Oficiais do das forças militares americanas acreditam que os ataques pretendem reacender o conflito entre muçulmanos xiitas e sunitas que assolou o país depois da invasão americana que derrubou Saddam Hussein, em 2003. A espiral de violência sectária, responsável por centenas de mortes no Iraque, foi contida após uma mudança de estratégia das forças de coalizão, em 2007.

 

Uma outra hipótese levantada pelos militares americanos dá conta de que os terroristas podem estar tentando reduzir a confiança no primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, a poucos meses da eleição parlamentar do ano que vem.

As explosões de domingo aconteceram dois meses depois dos atentados a bomba de 19 de agosto, que tinham como alvo os ministérios das Finanças e das Relações Exteriores. Esses ataques mataram mais de 100 pessoas e deixaram centenas de feridos.

 

Repercussão

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou duramente os sangrentos atentados, e ligou pessoalmente ao governo iraquiano para mostrar suas condolências e reiterar o compromisso dos EUA por trabalhar na melhora do país. Em comunicado, Obama mostrou sua "dura condenação" por "estes

atrozes ataques ao povo iraquiano" e quis enviar suas "mais profundas condolências a aqueles que perderam a seus entes queridos."

 

"Estas bombas - assegurou o presidente americano - não só querem assassinar homens, mulheres e crianças inocentes, mas revelam a agenda de ódio e destruição daqueles que negam ao povo iraquiano o futuro que merecem". Para Obama, "estas tentativas de fazer descarrilar o progresso do

Iraque não combinam com a coragem e a resistência do povo iraquiano."

 

Os EUA, lembrou o presidente, seguirão trabalhando com o Iraque "como um amigo próximo e um aliado", enquanto os "iraquianos se preparam para as eleições do próximo ano, seguem assumindo suas responsabilidades e avançam rumo a um futuro de paz e oportunidades."

 

Em outro comunicado, a secretária de Estado, Hillary Clinton, coincidiu com Obama em que os atentados buscam "minar os impressionantes progressos que o Iraque fez rumo à estabilidade e a conseguir uma maior confiança em si mesmo."

 

Texto atualizado às 18h35.

 

(Com informações da Efe e Associated Press)

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