Atentados contra cristãos matam 3 e ferem dezenas no Iraque

Ataques contra cristãos mataram pelo menos três pessoas e deixaram dezenas de feridos entre terça e esta quarta-feira em Bagdá, segundo fontes de segurança. Os atentados com bombas e morteiros ocorrem dez dias depois da invasão de uma igreja católica no Iraque, com saldo de 52 mortos.

ASEEL KAMI E AHMED RASHEED, REUTERS

10 de novembro de 2010 | 10h10

A minoria cristã teme que insurgentes muçulmanos sunitas estejam tentando expulsá-los do país e reabrir o conflito sectário iraquiano. O país vive sob tensão política desde as inconclusivas eleições de março, que causam disputas entre sunitas, xiitas e curdos pela formação do novo governo.

Bombas e granadas de morteiros explodiram em mais de 12 ataques contra alvos cristãos em Bagdá entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta, segundo autoridades. Uma fonte policial disse que havia três mortos e 37 feridos; outra fonte, do Ministério do Interior, falou em quatro mortos e 33 feridos. Ambas pediram anonimato.

"O que podemos fazer? Estão caçando os cristãos em cada bairro de Bagdá", disse à Reuters por telefone, com voz trêmula, Emmanuel 3o Delly, patriarca caldeu de Bagdá. "Não podemos fazer nada para impedi-los, a não ser rezar a Deus para pararem esses crimes."

Insurgentes ligados à Al Qaeda reivindicaram a autoria de vários ataques recentes, aparentemente numa tentativa de reavivar a violência sectária que deixou o Iraque à beira de uma guerra civil em 2003.

No último dia 31, 52 pessoas, entre reféns e policiais, foram mortos durante a invasão da catedral de Nossa Senhora da Salvação, no centro de Bagdá. Depois disso, o governo prometeu dar mais segurança aos cristãos.

Dois dias após o incidente, uma série de explosões em bairros xiitas da cidade deixou pelo menos 63 mortos.

Os ataques de terça e quarta-feira aconteceram em várias áreas de Bagdá. Granadas de morteiros caíram no bairro de Doura (zona sul), e bombas foram deixadas perto de casas de cristãos em Doura, no Acampamento Sara (leste), em Adhamiya (norte), Mansour (oeste), Karrada (centro) e outros bairros.

Um Noora, 46 anos, funcionária pública cristã que vive no Acampamento Sara, diz que ficou aterrorizada e está pensando em emigrar. "Todo o meu corpo está tremendo. Não fui trabalhar hoje. Não deixei que minha filha fosse para a universidade. Não sabemos qual é o nosso destino, eles podem nos atacar a qualquer momento, só Deus sabe."

O patriarca Delly disse que evidentemente os insurgentes estão tentando expulsar os cristãos do Iraque. "O Iraque é o nosso amado país, e os muçulmanos são nossos irmãos, então por que estão fazendo isso? Por que estão nos alvejando?"

(Reportagem adicional da Reuters Television)

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