Atentados matam pelo menos 57 e ferem quase 300 no Iraque

Mulheres-bomba matam 32 xiitas em peregrinação; bomba mata 25 durante manifestação curda em Kirkuk

Agências internacionais,

28 de julho de 2008 | 07h36

Uma série de atentados com bomba, incluindo suicidas, mataram nesta segunda-feira, 28, pelo menos 57 pessoas e feriram mais de 287 pessoas em Bagdá e em Kirkuk, no norte do país, segundo informou a polícia. Pelo menos dois dos ataques foram promovidos por mulheres-bomba, de acordo com um militar americano.   Veja também: Após ataques, Kirkuk e Bagdá impõem toque de recolher   Os atentados foram um duro golpe na redução da violência no país, com os índices menores nos últimos quatro anos. A onda de violência começou na capital iraquiana, Bagdá, quando a explosão de uma bomba foi coordenada com outras três mulheres que portavam explosivos atados ao corpo. Os atentados deixaram pelo menos 32 mortos e 102 feridos, segundo afirmou a polícia e autoridades de hospitais.   Os ataques em Bagdá tiveram como alvo comboios de peregrinos que se dirigiam para o santuário de Kadhemia, ao norte do país, onde acontece uma cerimônia religiosa anual em homenagem a um imã xiita. Segundo a BBC, os ataques ocorreram quando os comboios passavam pelo distrito central de Kerrada. A cidade está sob um forte esquema de segurança por conta da peregrinação.   Um alto oficial dos Estados Unidos responsabilizou a Al-Qaeda pelos ataques no Iraque e disse que dois terroristas eram mulheres. A Al-Qaeda tem cada vez mais utilizado mulheres em seus ataques suicidas, porque elas conseguem passar facilmente pelos rígidos controles de segurança. "Por volta das 8 horas da manhã (horário local), três mulheres-bomba detonaram os explosivos atados ao corpo entre os peregrinos", confirmou em nota porta-voz militar em Bagdá, o general Qassim al-Moussawi.   No domingo, atiradores desconhecidos abriram fogo contra peregrinos xiitas em Bagdá, durante uma celebração religiosa considerada herética para os sunitas, deixando sete mortos. Os tiros também provocaram pânico em meio aos milhares de fiéis que se dirigiam ao mausoléu do imã Moussa al-Kazem, no norte da capital. O túmulo é considerado um importante santuário xiita. Aparentemente, o grupo de peregrinos que foi alvo do ataque a tiros vinha das cidades do sul do Iraque, onde a população é predominantemente xiita.   Em Kirkuk, um homem-bomba matou pelo menos 25 pessoas e feriu 185 durante uma manifestação de curdos, disseram autoridades iraquianas. Policiais e hospitais afirmaram que o ataque aconteceu enquanto manifestantes se reuniam para protestar contra um projeto eleitoral que é discutido no Parlamento provincial. A polícia ainda encontrou um carro-bomba nos arredores e o destruiu sem provocar fatalidades após esvaziar a área.   Pouco depois do atentado, um carro-bomba não detonado foi encontrado nas proximidades do local da manifestação. A polícia conduziu uma explosão controlada do veículo. Não houve vítimas. Após o ataque, curdos revoltados abriram fogo contra o diretório de um partido político turcomano contrário às aspirações curdas com relação ao status de Kirkuk, informou uma fonte na polícia.  A polícia isolou o local.   O legislativo local discute uma proposta de partilha de poder para a cidade de Kirkuk, capital de uma região rica em petróleo do norte do Iraque. A polícia local ainda não determinou se a explosão em Kirkuk foi resultado de um ataque suicida, disse o general Jamal Tahir, um porta-voz das forças locais de segurança.   Os curdos, que desejam anexar essa cidade a sua região autônoma, rejeitam a nova lei porque ela estipula a repartição de 32% das cadeiras do conselho local de Kirkuk para cada um dos três grupos étnicos, e os 4% restantes para outras minorias. Kirkuk é a cidade mais importante de uma rica região petrolífera do norte do Iraque, com uma população de maioria curda e centro de disputas entre as autoridades do Curdistão iraquiano e do governo de Bagdá.   Matéria atualizada às 12h45.

Tudo o que sabemos sobre:
Iraqueviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.