Ativistas são condenados a 10 anos de prisão na Arábia Saudita

Um tribunal na Arábia Saudita sentenciou, neste sábado, dois proeminentes ativistas políticos e de direitos a pelo menos 10 anos de prisão, por supostas ofensas que incluíam revolta e fornecimento de informações imprecisas à imprensa estrangeira.

Reuters

09 de março de 2013 | 14h01

Mohammed Fahd al-Qahtani e Abdullah Hamad são membros fundadores da banida Associação Saudita de Direitos Civis e Políticos, conhecida como Acpra, a qual documenta abusos de direitos humanos e fez pedidos por eleições e por uma monarquia constitucional.

Riad, o principal aliado de Washington na região do Golfo, não permite protestos, partidos políticos ou sindicatos comerciais. A maior parte do poder vem dos membros da família dominante e de clérigos da escola ultraconservadora Wahhabi.

O caso atraiu atenção de grupos internacionais de direitos, que acusam o reino islâmico de utilizar sua campanha contra militantes religiosos para suprimir dissidências políticas.

A Arábia Saudita negou essa acusação e diz que não pratica tortura e não tem prisioneiros políticos.

Em uma entrevista à Reuters em janeiro, Qahtani disse prever que iria para a prisão e descreveu a sentença de cinco anos ou mais como "pesada".

No ano passado, a Acpra emitiu uma declaração exigindo que o Rei Abdullah removesse seu herdeiro e ministro do interior, o príncipe Nayef, o qual consideram responsável por abusos de direitos no país. Nayef morreu logo após a acusação.

Qahtani foi sentenciado a 10 anos de prisão. Já Hamad terá que completar os seis anos remanescentes de uma sentença anterior de prisão por suas atividades políticas e servir mais cinco anos.

Eles permanecerão detidos até um juiz decidir sobre suas apelações no mês que vem.

A Acpra também será desativado e seus fundos, confiscados, de acordo com determinação judicial. No ano passado, a corte em Jeddah sentenciou o membro do Acpra Mohammad al-Bajadi a quatro anos de prisão. Outro dos fundadores do grupo, Abdulkarim al-Khathar, também está em julgamento.

(Por Angus McDowall)

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