Ativistas sírios 'enojados' não se chocam com e-mails de Assad

Ativistas sírios disseram nesta quinta-feira que ficaram enojados com os e-mails que pareciam mostrar o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e sua esposa comprando música pop e itens de luxo, enquanto o país sofre com o derramamento de sangue.

REUTERS

15 de março de 2012 | 14h05

O jornal britânico The Guardian disse que obteve cerca de 3 mil e-mails de Assad e de sua esposa Asma. Os e-mails, nem todos verificados pelo jornal ainda, mostraram Assad obtendo conselhos com o Irã sobre como conter a revolta de um ano contra seu governo que já custou milhares de vidas.

Os e-mails também revelaram Asma, nascida na Grã-Bretanha, comprando colares de joias de Paris, e Assad fazendo download de músicas, o que, na opinião de ativistas, mostra o desapego da família governante a uma crise que está arrastando a Síria para a beira de uma guerra civil e colapso econômico.

"Ele estava baixando músicas do iTunes, enquanto seu Exército estava nos atacando. Sua esposa estava comprando coisas caras da Amazon, isso faz me sentir nojo", disse um ativista chamado Rami, em Homs.

Coração da rebelião, Homs foi bombardeada por forças armadas que estão tentando derrotar os rebeldes na cidade após destruírem o reduto deles no bairro de Baba Amr, no mês passado.

Um combatente do grupo rebelde "Brigada Farouq" em Homs disse que ficou confortado em ver Assad lutando para lidar com a situação. Um e-mail da esposa de Assad afirmava: "Se somos fortes juntos, vamos superar isso juntos". Outros mostraram que ele estava confiando no principal aliado regional da Síria, o Irã, e em consultores de mídia em busca de conselho.

"Uma coisa boa é que isso é um sinal claro de que Assad percebe a bagunça em que ele está metido", disse o combatente, que se chama al-Homsi. "Mas sem surpresa, como esperávamos, ele realmente não parece se importar com quantos do seu povo morrem para que ele possa manter seu trono."

Poucos ativistas tinham esperança de que os e-mails teriam um impacto sobre os muitos sírios que não aderiram à oposição.

"Ninguém vai ouvir sobre isso na Síria. Depois de amanhã eles serão esquecidos ... os sírios não estão lendo muito", disse Ayman Abdel Nour, um ex-assessor de Assad, que deixou a Síria em 2007.

"A questão é que o governo sírio vai simplesmente ignorar isso. Eles não vão negar ou reconhecer e as pessoas que assistem à televisão estatal síria ficarão alienados", disse Abdel Nour, falando de sua casa em Dubai.

(Reportagem adicional de Oliver Holmes)

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