Atraso na remoção de armas químicas da Síria foi desnecessário, sugere ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sugeriu em um relatório nesta terça-feira que uma operação para remover armas químicas da Síria foi desnecessariamente adiada e que ele havia expressado sua preocupação ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

LOUIS CHARBONNEAU E MICHELLE NICHOLS, Reuters

28 de janeiro de 2014 | 20h13

Com base em um acordo negociado pela Rússia e os Estados Unidos, a Síria aceitou destruir seu arsenal de armas químicas depois de um ataque com gás sarin em 21 de agosto, que matou centenas de pessoas e levou o governo norte-americano a ameaçar desfechar bombardeios aéreos na Síria. O governo sírio e rebeldes culpam uns aos outros pelo ataque com gás.

Ban disse em um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, datado de 27 de janeiro, mas divulgado nesta terça-feira, que o prazo final de 31 de dezembro para a remoção das piores armas químicas da Síria não tinha sido cumprido. A Síria afirma que a operação enfrenta desafios em termos de segurança.

"Embora esteja consciente da desafiadora situação de segurança dentro da República Árabe Síria, a avaliação da Missão Conjunta é que (a Síria) tem material e equipamentos suficientes para realizar movimentações múltiplas no terreno para garantir a rápida remoção do material de armas químicas", disse Ban.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas estabeleceu a data de 31 de dezembro como prazo final para a remoção da Síria dos piores químicos, os quais incluem componentes para a fabricação do sarin e do agente de nervos VX. Essas toxinas deverão ser destruídas em alto-mar até 31 de março em um navio dos EUA especialmente equipado para essa finalidade.

O restante dos materiais químicos da Síria deverá ser retirado do país até 5 de fevereiro e destruído até 30 de junho. A operação está sendo supervisionada por uma missão conjunta de observadores mundiais de armas químicas e as Nações Unidas.

A guerra civil que já dura três anos na Síria matou mais de 100.000 pessoas e levou milhões a abandonarem suas casas, de acordo com dados da ONU.

O relatório de Ban foi redigido antes de a missão conjunta ter dito na segunda-feira que um segundo embarque de material de armas químicas tinha sido removido da Síria, quase três semanas depois da primeira remessa.

Ele afirmou em seu relatório que o primeiro embarque era de uma "pequena quantidade" dos piores químicos e que agora a operação inteira tinha sido reagendada.

"Nos últimos dias eu falei com a República Árabe Síria e outros Estados membros com a intenção de expressar minha preocupação com esse atraso", disse Ban.

"O diretor-geral da Opaq e o coordenador especial (da missão conjunta ONU-Opaq) entraram igualmente em contato com representantes sírios para convencê-los a permitir a retirada imediata", afirmou ele.

O Conselho de Segurança da ONU adotou em setembro uma resolução sobre a operação de desmantelamento do programa de armas químicas da Síria, mas não ameaçou com ação punitiva automática contra o governo de Assad caso caso não cumprisse essa determinação.

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