Majdi Mohammed/AP
Majdi Mohammed/AP

Atrito entre Israel e EUA pode favorecer a paz, diz Lula na Cisjordânia

Para presidente, crise pode ser 'coisa mágica' que faltava para solucionar conflito

Denise Chrispim Marin - enviada especial de O Estado de S. Paulo

17 de março de 2010 | 12h05

RAMALLAH - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira,17, Ramallah, na Cisjordânia, que acredita que os atritos entre Estados Unidos e Israel sobre a construção de assentamentos em Jerusalém Oriental podem favorecer o início de negociações de um processo de paz entre israelenses e palestinos.

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Segundo o presidente a desavença entre os dois aliados pode vir a ser a chave desse acordo. "O que parecia impossível aconteceu: os Estados Unidos divergindo de Israel. Quem sabe essa divergência era a coisa mágica que faltava para o acordo", afirmou Lula, ao lado do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Em entrevista coletiva, Lula afirmou que o Brasil pode contribuir para a chegada da paz entre os dois povos, e que o Brasil está disposto a sediar encontros dos grupos que querem a paz no país. Para isso alertou que é preciso que Israel pare de expandir os seus assentamentos em territórios palestinos. "Essa ampliação deve parar, sob pena de vir a apagar a chama da esperança", disse.

O presidente ainda ressaltou que é preciso que os palestinos façam uma voz uníssona na mesa de negociações, porque sem unidade não haverá ganhadores, só perdedores. "Isso impedirá a construção de um estado palestino e manterá Israel sob permanente insegurança". Ele defendeu que é preciso ter abertura para ouvir o outro lado. "Por isso apoiamos a aproximação entre o Irã e Israel, como forma de estabelecer um diálogo".

Questionado se poderia se colocar à disposição para mediar um dialogo entre Hamas (grupo fundamentalista que domina politicamente a faixa de Gaza) e a ANP, Lula disse que o Brasil está disposto a conversar com quer que seja. "Não existe força política de direita ou de esquerda com a qual o Brasil não se disponha a conversar. O acordo de paz exige a presença de todas as partes envolvidas", afirmou.

Abbas vê dificuldade

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ressaltou a situação política de grande dificuldade, neste momento em que Israel expande os seus assentamentos em territórios palestinos.

Sobre as dificuldades de diálogo com o Hamas, Abbas afirmou que a ANP assinou um acordo com o grupo, mediado pelo Egito e que espera que o outro lado também venha a assiná-lo. Afirmou ainda que para tanto, gostaria que outros atores pressionassem o Hamas em favor desse compromisso.

Abbas reafirmou que condição para o lançamento de uma negociação com os israelenses é a suspensão do aumento dos assentamentos em todos os territórios palestinos, inclusive em Jerusalém. "Não queremos nenhum outro caminho.

Antes da entrevista, Lula inaugurou, em Ramallah, a rua Brasil, que está bem em frente a sede da Autoridade Nacional Palestina e colocou flores no mausoléu do líder palestino Yasser Arafat.

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