Humayoun Shiab/Efe
Humayoun Shiab/Efe

Aumenta tom de críticas entre presidente afegão e Casa Branca

Karzai reiterou acusações de que Ocidente teria cometido fraude eleitoral no Afeganistão

PETER GRAFF E PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

05 de abril de 2010 | 18h02

O tom das discussões entre o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e a Casa Branca aumentou nesta segunda-feira, 5, com os Estados Unidos lamentando o fracasso de suas tentativas para acalmar a situação.  

 

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Karzai reiterou as acusações feitas por ele na semana passada de que o Ocidente teria cometido fraude eleitoral no Afeganistão, e pareceu acentuar ainda mais suas críticas ao citar especificamente os Estados Unidos como responsáveis.

A Casa Branca se disse frustrada em nome do povo norte-americano, e evocou o sacrifício feito pelas famílias que enviaram seus entes queridos para lutarem no Afeganistão. Há mais de 120 mil soldados ocidentais no Afeganistão, sendo mais de 80 mil norte-americanos, número que pode aumentar em mais 20 mil neste ano.

As novas declarações de Karzai sugerem que as críticas da semana passada foram mais do que uma explosão isolada de fúria, e que ele pode estar buscando uma política deliberada de se distanciar de seus apoiadores ocidentais.

Karzai telefonou na sexta-feira à secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, para tentar acalmar os ânimos, mas Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, afirmou que desde então a situação "obviamente não melhorou nada."

"Os comentários são perturbadores, e a substância dos comentários simplesmente não é verdadeira", disse Gibbs.

"Em nome do povo norte-americano, estamos frustrados com as declarações. Acho que famílias de todo este país têm visto seus entes queridos partirem para muito longe para servirem bravamente às nossas Forças Armadas e para ajudar um país a estabelecer a paz e a segurança."

Gibbs disse que a visita de Karzai a Washington, prevista para 12 de maio, está mantida, e que os Estados Unidos continuarão trabalhando com ele, embora adotando parâmetros que o seu governo deve cumprir. Acrescentou que as críticas vindas de Cabul não devem afetar a decisão do Congresso sobre a liberação de verbas para a guerra.

Karzai foi reeleito no ano passado num pleito marcado por suspeitas de fraude, mas na semana passada ele declarou que estrangeiros haviam cometido subornos e ameaças durante o processo eleitoral.

Numa entrevista nesta segunda-feira à rede BBC, Karzai pareceu pela primeira vez atribuir a culpa das fraudes eleitorais especificamente aos Estados Unidos, e não ao Ocidente como um todo.

"O que eu disse sobre a eleição era tudo verdade, não vou repetir, mas era tudo verdade", afirmou. O entrevistador da BBC, então, perguntou: "Que os Estados Unidos cometeram a fraude?". "Foi exatamente o que aconteceu", respondeu o presidente. "Mencionei os elementos que fizeram isso."

Durante a entrevista, ele cobrou respeito pela soberania afegã, ecoando uma declaração que havia feito no domingo em Kandahar. "O Afeganistão será consertado quando seu povo confiar que o seu presidente é independente (...), quando seu povo confiar que o governo é independente, não um fantoche", declarou ele a líderes locais.

Karzai tinha uma boa relação pessoal com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, o que nunca aconteceu em relação ao seu sucessor Barack Obama.

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