Francois Lenoir/Reuters
Francois Lenoir/Reuters

Autoridade Palestina alerta para 'guerra religiosa' na Cisjordânia

Abbas classificou ato de Israel como 'provocação' e pediu apoio da UE para negociações de paz com o país

Associated Press e Efe,

23 de fevereiro de 2010 | 18h02

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, advertiu nesta terça-feira para o perigo de a região entrar em uma "guerra religiosa" após o anúncio dos planos de Israel de reconhecer dois santuários disputados em West Bank como patrimônios israelenses.

 

Os dois lugares históricos são o Túmulo dos Patriarcas em Hebron (sagrado para o judaísmo e o islamismo) e o túmulo da matriarca Raquel, em Belém, onde os muçulmanos reivindicam que está a mesquita de Bilal Ibn Rabah.

 

O Túmulo dos Patriarcas é sagrado tanto para judeus quanto para muçulmanos. Os judeus o reverenciam como o local onde a bíblia diz que foram enterrados os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e suas respectivas esposas. Já os muçulmanos o chamam de mesquita al-Ibrahimi, uma vez que Abraão é considerado o pai do judaísmo e do islamismo.

 

Abbas falou durante uma visita a Bélgica, após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dar declarações sobre o Túmulo dos Patriarcas de Hebron nesta segunda-feira.

 

O presidente também classificou como "provocação" a decisão israelense de declarar como patrimônio nacional dois lugares históricos da Cisjordânia para os muçulmanos.

 

"Sei que a União Europeia entende a natureza desta provocação israelense. Essas provocações não podem contribuir de forma positiva para o processo de paz", afirmou Abbas após se reunir em Bruxelas com o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek.

 

Abbas pediu à União Europeia para que mantenha seu apoio ao restabelecimento das negociações de paz entre Israel e palestinos, e reiterou a vontade de seu governo de retomar essas conversas, inclusive por via indireta, com a ajuda dos Estados Unidos.

 

No entanto, ressaltou que, "para que as negociações sejam retomadas, é preciso haver um congelamento" das construções nos assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

 

Hebron é um foco de violência porque é o único lugar na Cisjordânia onde judeus vivem junto a palestinos. Cerca de 500 colonos judeus, alguns extremistas, vivem em comunidades protegidas por soldados israelenses, que controlam parte da cidade onde vivem 170 mil palestinos.

 

Depois das afirmações de Abbas, um porta-voz de Netanyahu, Nir Hefez, fez duras críticas à alegação do presidente da ANP. "Isso é uma campanha hipócrita de mentiras", disse Hefez em um comunicado, insistindo em que "Israel está dedicada a liberdade de culto dos membros de todas as religiões em todos os territórios sagrados".

 

Abbas havia se reunido anteriormente com o primeiro-ministro da Bélgica, Yves Leterme, que reforçou o apoio de seu governo a favor da reabertura das negociações, inicalmente com o auxílio de intermediários, e posteriormente de forma direta.

 

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