Autoridade Palestina ameaça suspender diálogo com Israel

Após última ofensiva militar de Israel, Autoridade Nacional Palestina sinaliza possibilidade de fim do diálogo

Efe

01 de março de 2008 | 20h02

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) ameaçou nesse sábado, 1, suspender as negociações de paz com Israel, depois que a última ofensiva militar israelense em Gaza gerou pelo menos 61 mortos e outros 200 feridos.   O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para analisar a situação em Gaza, pouco após manifestar que o ocorrido ali "é pior que o Holocausto".   Israel iniciou na noite dessa sexta-feira, 29, uma incursão no norte da Faixa de Gaza, que se transformou na mais sangrenta desde que removeu os 8 mil colonos que viviam em assentamentos judaicos neste território palestino, em 2005.   As últimas vítimas mortais são quatro palestinos que faleceram nesta sex-feira, 29, em um bombardeio de uma delegacia na cidade de Rafah, disseram testemunhas, e de um militante do Hamas no campo de refugiados de Al-Bureij.   O resultado provisório de vítimas mortais durante o dia, que enquanto transcorre a operação israelense sobe cada vez mais, supera os 60, entre eles numerosos civis e pelo menos 15 menores, incluídos vários crianças e dois bebês, segundo fontes sanitárias de Gaza.   Em declarações feitas durante a tarde desse sábado, 1, o chefe do serviço de urgências do Ministério da Saúde em Gaza, Moawiya Hasanín, contabilizou em 86 (sem incluir os cinco desta noite) os mortos desde quarta-feira passada, 27, quando se iniciou a ofensiva militar de Israel, enquanto os feridos, dezenas deles graves, superam os 200.   A operação de hoje, apoiada por artilharia, tropas de infantaria e a Força Aérea israelense, teve como centro o campo de refugiados de Jabalya, no norte da faixa, além vários alvos próximos, ao sul e na própria Cidade de Gaza.   Durante os combates entre soldados israelenses e milicianos, que tentaram resistir à invasão, foram registrados ainda dois morto e cinco feridos entre as fileiras do Exército israelense.   Israel confirmou à tarde a notícia do falecimento dos soldados, membros da Brigada Guivati, após informar suas famílias.   As milícias palestinas dispararam durante o dia dezenas de foguetes artesanais Qassam e foguetes Grad de médio alcance contra localidades israelenses, que causaram uma dúzia de feridos, entre eles dois menores que foram hospitalizados após receber impactos de estilhaços.   A atual situação de violência levou o chefe negociador palestino, e ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei, a recomendar a suspensão das conversas de paz, que mantém nos últimos meses com a chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni.   Segundo a edição eletrônica do diário "Haretz", Qorei, que se encontra hoje em Amã, teria anunciado a Livni que suspenderá a negociação de paz, embora a informação não tenha sido confirmada por nenhum canal oficial.   Por sua parte, o presidente Abbas convocou hoje uma reunião na sede governamental de Ramala para analisar a situação, mas ao no final das conversas não vazou nenhuma informação relevante a respeito.   A ministra israelense de Exteriores disse hoje que as ameaças palestinas de suspender as negociações de paz com Israel não afetarão o desenvolvimento da ofensiva na Faixa de Gaza.   "Inclusive se os palestinos desejam interromper as conversas de paz com Israel, não terá nenhum efeito sobre as decisões israelenses em Gaza", recalcou Livni.   Por sua parte, o assessor presidencial, Saeb Erekat, afirmou que a negociação com Israel "ficou enterrada debaixo dos escombros das casas destruídas em Gaza".   Centenas de palestinos se concentraram esta noite na praça central Al Manara de Ramala para expressar sua repulsa à situação atual em Gaza e induzir o presidente Abbas a interromper a negociação com Israel.   "Não à negociação com o sangue de nosso povo", dizia um dos cartazes que se podia ler no protesto. Fontes da unidade de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disseram à Agência Efe que na próxima terça-feira Abbas deverá se reunir com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, no marco das reuniões quinzenais que ambos dirigentes mantêm desde dezembro, quando se retomou o processo de paz iniciado em novembro na cúpula de Annapolis (EUA).   Algumas fontes indicam que a iminente visita à região da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, poderia supor um elemento de pressão que obrigasse às partes a realizar o encontro.   Também o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, visitará a região, em uma viagem que começa neste domingo, 2.

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