Autoridades eleitorais afegãs são afastadas antes do 2º turno

Mais da metade dos coordenadores serão substituídos para evitar novas fraudes em 7 de novembro

Reuters,

21 de outubro de 2009 | 10h23

Os chefes de metade das zonas eleitorais do Afeganistão serão demitidos para evitar fraudes no segundo turno da eleição presidencial, que será decisivo para a credibilidade do país e o apoio internacional, informou nesta quarta-feira, 21, a Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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"Mais de metade dos coordenadores de campo dos distritos estão sendo substituídos para evitar qualquer tentativa de fraude, ou porque houve queixas feitas contra eles por candidatos e observadores", disse Aleem Siddique, porta-voz da ONU, em Cabul. Segundo ele, foram demitidos 200 dos 380 coordenadores distritais. A investigação da ONU apontou evidências disseminadas de fraudes e manipulação.

 

Fraudes

Após dias de negociações diplomáticas, o presidente Hamid Karzai aceitou na terça-feira disputar um segundo turno em 7 de novembro contra o seu rival Abdullah Abdullah. Inicialmente, Karzai havia obtido maioria absoluta no primeiro turno, em 20 de agosto, com 54% dos votos, mas uma investigação comandada pela comissão de Queixas Eleitorais da ONU anulou dezenas de milhares de votos, o que fez com que a votação dele caísse para 48,3% por cento.

 

Nesta quarta, a Comissão da ONU divulgou o resultado oficial dos votos favoráveis a Abdullah. O ex-ministro de Relações Exteriores obteve 30,59% dos votos e já confirmou participação na segunda rodada do pleito.

A decisão de Karzai de aceitar o segundo turno atenuou a tensão com o Ocidente e removeu um empecilho à definição de uma nova estratégia militar americana para o Afeganistão, o que pode incluir o envio de dezenas de milhares de soldados adicionais.

Muitos políticos do Partido Democrata dos EUA são contra o envio de reforços, enquanto o Partido Republicano diz que a demora na definição da nova estratégia está fortalecendo o Taliban.

O secretário americano de Defesa, Robert Gates, negou que haja divisões entre assessores civis e militares do governo. "Esses rumores sobre algum tipo de racha simplesmente não são exatos e não refletem o estreito esforço de trabalho entre nossos militares e civis", disse Gates em entrevista coletiva na quarta-feira, durante visita ao Japão.

Gates afirmou que as dúvidas sobre a legitimidade do governo afegão não serão resolvidas apenas com o segundo turno, e qualificou a situação como um "processo evolutivo". "Claramente, ter o segundo turno, deixá-lo para trás e seguir adiante é importantíssimo", afirmou.

As autoridades eleitorais agora enfrentam um pesadelo logístico, pois têm pouco mais de duas semanas para preparar o segundo turno, antes que o rigoroso inverno afegão torne o montanhoso interior do país praticamente inacessível.

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