Autoridades iraquianas são presas por plano de golpe, diz NYT

Presos são funcionários de alto escalão do Ministério do Interior, entre eles, membros do gabinete do premiê

Agências internacionais,

18 de dezembro de 2008 | 06h35

Cerca de 35 oficiais do Ministério do Interior iraquiano foram detidos nos últimos três dias, acusados de trabalhar reconstituir o partido do ex-ditador Saddam Hussein, informa a edição desta quinta-feira, 18, diário The New York Times.   Veja também: Em 2009, apenas EUA devem permanecer no Iraque Reino Unido anuncia retirada do Iraque em 2009 'Tomamos a decisão certa no Iraque', diz Dick Cheney  As prisões, confirmadas por oficiais do Ministério e da Segurança Nacional, assim como pelo gabinete do primeiro-ministro iraquiano, incluem quatro generais, entre eles o Ahmed Abu Raqeef, diretor de assuntos internos do Ministério do Interior.   Segundo afirmaram oficiais, entre os detidos estão ainda membros do gabinete do primeiro-ministro Nouri al-Maliki e da unidade de elite da luta antiterrorista que se reporta diretamente a Maliki, o que demonstra a seriedade das acusações, segundo o jornal nova-iorquino. Eles ainda estariam na fase inicial de planejamento de um golpe de Estado.   As prisões refletem um novo desafio político para o premiê, que ganhou popularidade como forte líder, mas com poucos aliados políticos confiáveis, e que terá de se proteger de rivais domésticos e a influência dos EUA, país que o apóia, começa a enfraquecer.   A intenção dos detidos supostamente era reconstruir o Baath, o partido de Saddam que governou o país com mão de ferro por cerca de 40 anos, nos quais dezenas de milhares de pessoas foram perseguidas ou morreram pela repressão do Estado.   Os críticos de Maliki acusam-no de perseguir e prender inimigos políticos para se consolidar no poder, às vésperas das eleições provinciais em janeiro, segundo o jornal norte-americano. O próprio primeiro-ministro foi perseguido no passado pelo regime de Saddam, porém cinco anos após a invasão centenas de membros do Baath voltaram à vida pública no país.   Neste ano, o conselho presidencial iraquiano aprovou uma medida permitindo que membros do Partido Baath retornem aos seus postos no governo, como parte da atual administração liderada pelos xiitas. A iniciativa foi vista como uma forma de unir as facções iraquianas e uma forma de reverter o que é visto como um dos grandes problemas do Iraque pós-Saddam.   A decisão inicial dos EUA de desmantelar o Exército iraquiano para erradicar a influência do regime de Saddam levou ao aumento da insurgência contra os norte-americanos após a invasão.     Matéria atualizada às 7h45.

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