Aviões do Irã não são reabastecidos em aeroporto da Alemanha

Dois aviões iranianos decolaram nesta semana de um aeroporto alemão sem serem reabastecidos, disse uma porta-voz nesta quinta-feira, dias depois do surgimento de relatos de que três países teriam negado combustível às aeronaves por causa de sanções unilaterais dos Estados Unidos contra a República Islâmica.

REUTERS

08 de julho de 2010 | 19h05

"Podemos confirmar que esses aviões voaram a partir de Hamburgo, mas não receberam combustível aqui", disse Katja Tempel, porta-voz do Aeroporto de Hamburgo. "Não podemos dizer para onde voaram ou onde reabasteceram."

O Irã sofre diversas sanções internacionais por causa da sua insistência em enriquecer urânio, o que desperta em governos ocidentais a suspeita de que o país pretende desenvolver armas atômicas. Teerã diz que seu programa nuclear é exclusivamente pacífico.

A imprensa noticiou nesta semana que os aviões iranianos foram impedidos de abastecer na Alemanha, na Grã-Bretanha e nos Emirados Árabes Unidos por causa das sanções norte-americanas.

O jornal Financial Times disse que a empresa British Petroleum (BP) parou de abastecer jatos iranianos, somando-se à lista de companhias que evitam negócios com a República Islâmica.

Uma fonte oficial iraniana qualificou as notícias como "guerra psicológica."

Tempel disse que um avião da Iran Air decolou no domingo sem reabastecer, e que isso se repetiu na quarta-feira. Ela acrescentou que o reabastecimento é assunto das empresas aéreas e petrolíferas, sem envolvimento do aeroporto.

"Os aviões não foram reabastecidos, mas apesar disso eles voaram."

A BP não quis comentar a notícia, mas disse respeitar as sanções internacionais.

Na semana passada, entrou em vigor uma nova lei dos Estados Unidos com sanções aos setores bancário e energético do Irã, impondo punições a qualquer empresa do mundo que exporte gasolina ou outros derivados de petróleo para o Irã.

A lei não cita especificamente a questão do abastecimento de aviões iranianos em terceiros países, mas autoridades dos norte-americanas deixaram claro que ficaram satisfeitas com as notícias sobre as restrições.

Embora seja um grande exportador de petróleo, o Irã tem capacidade de refino limitada, e por isso precisa importar combustível.

Agentes do mercado disseram nesta quinta-feira que a maioria dos fornecedores parou de fornecer combustível ao Irã, em respeito às sanções dos Estados Unidos, e que a República Islâmica neste mês está importando gasolina da Turquia e de revendedores chineses.

(Reportagem de Michael Hogan, em Hamburgo; de Emma Farge, em Londres; e de Simon Webb, em Dubai)

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