Aviões militares turcos bombardeiam curdos no norte do Iraque

O alvo dos bombardeios foram esconderijos suspeitos de rebeldes curdos

Associeted Press

20 de março de 2008 | 12h44

Aviões militares da Turquia bombardearam esconderijos suspeitos de rebeldes curdos no norte do Iraque nesta quinta-feira, 20, segundo uma emissora de televisão local. A ação ocorreu, juntamente com uma sére de prisões de curdos no território turco, um dia antes do ano novo, o Newroz. A data é tradicionalmente usada pelos ativistas curdos para fomentar o sentimento contra o governo turco e pedir autonomia política e cultural.  Os aviões fizeram vôos de reconhecimento na região da fronteira entre Iraque e Turquia antes de bombardearem os alvos do partido dos trabalhadores do Curdistão, ou PKK, disse a rede de televisão NTV, citando oficiais curdo-iraquianos. Ela acrescentou que não houve relatos de civis feridos, nem foram confirmadas baixas entre os militantes. O exército turco não confirmou imediatamente os ataques. Entretanto, o chefe militar General Yasar Buyukanit disse que a Turquia continuaria seus ataques contra rebeldes no norte do Iraque após a investida por terra bem sucedida no mês passado contra campos de guerrilha curdos na região. A incursão de oito dias terminou em 29 de fevereiro. Ainda nesta quinta-feira, 20, um repórter da Associated Press viu vários jatos decolando de uma base aérea em Diyarbakir, a maior cidade do sudeste turco, região predominantemente curda. Um caça F-16 que estava na pista foi carregado com bombas e mísseis. O parlamento turco planejou para esta quinta-feira, 20, uma sessão a portas fechadas para discutir a recente incursão turca por terra no Iraque.O debate foi convocado pela oposição da Turquia, que sugeriu que a missão deveria ter sido mais ampla e que as forças militares se retiraram prematuramente do Iraque devido a pressões dos Estados Unidos. O exército negou que o tempo da operação tenha tido ligação com pedidos norte-americanos de uma retirada imediata, dizendo que infligiram pesadas perdas ao grupo de rebeldes. Os rebeldes contestam essa alegação. O presidente iraquiano Jalal Talabani, que visitou a capital turca Ancara esse mês, disse que rebeldes não serão tolerdos dentro das fronteiras iraquianas e que Bagdá estava pressionando o grupo para que depusessem duas armas. A Turquia é, há tempos, cética quanto ao comprometimento do governo central de Bagdá para desarticular o PKK. Na sexta-feira, 21, ocorrerão no festival Newroz, o ano novo no Oriente Médio, manifestações organizadas pelo Partido Sociedade Democrática, pró-curdo. A data foi escolhida pelos curdos na década de 80 para simbolizar sua resistência contra o Estado turco. Muitos turcos alegam que essa agremiação é um braço político do PKK, ilegal no país. O Partido Sociedade Democrática alega que o festival será pacífico, mas o governo turco teme manifestações contra o governo do primeiro-ministro Tayyip Erdogan. O grupo rebelde diz querer autonomia política e cultural para a região majoritariamente curda do sudeste turco. O conflito já matou dezenas de milhares de pessoas desde o seu início em 1984. Os curdos, uma etnia não árabe, são aproximadamente 20% da população turca, de 70 milhões de habitantes. O primeiro-ministro turco anunciou anteriormente iniciativas econômicas e culturais voltadas para os curdos no sudeste do país. As medidas incluem melhorias na agricultura e um canal de televisão multilíngüe, que também transmitiria programação em curdo. Em Diyarbakir, os curdos saudaram os investimentos, porém insistem no fim das restrições existentes à língua curda no ensino e nas transmissões. Ano Novo As autoridades turcas detiveram nas últimas 24 horas cem ativistas curdos em todo o país na véspera das celebrações do Newroz, o ano novo no Oriente Médio. Segundo informou nesta quinta-feira, 20, a agência curda Firat, os ativistas foram detidos nas províncias de Adana, Izmir, Malatya, Diyarbakir, Antep, Mus, Dersim, Igdir e Elazig. O dia 21 de março é celebrado no Oriente Médio como início da primavera e os curdos começaram na década de 80 a comemorar o Newroz como um símbolo de sua resistência contra o Estado turco. Dezenas de pessoas morreram em violentos ataques ocorridos durante esta festa ao longo dos últimos 20 anos. Em 1992, houve 60 vítimas mortais quando seguidores do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado ilegal, enfrentaram durante dias as forças de segurança turcas. No ano passado, as festividades se transformaram em uma grande manifestação a favor da prisão do ex-líder histórico do PKK Abdullah Ocalan. O Partido da Sociedade Democrática (DTP) - um dos partidos curdos - espera que amanhã se reúna pelo menos um milhão de pessoas na província deDiyarbakir, a maior cidade do sudeste turco, região predominantemente curda. As forças de segurança turcas têm tomado medidas para evitar incidentes violentos durante as celebrações e possíveis manifestações. Em comunicado por causa do ano novo, o DTP assinala que estas celebrações vão demonstrar "que a questão curda não pode ser resolvida com operações militares. Por isso, o Newroz de 2008 é tão importante". O grupo curdo se refere às recentes ofensivas turcas contra supostas posições do PKK no norte do Iraque. Em um gesto incomum de consenso, inclusive com os nacionalistas curdos, o Parlamento da Turquia decidiu na terça-feira passada debater um projeto de lei que transforma o "Newroz" em uma "festa nacional" turca. O deputado Attila Kaya, do Partido de Movimento Nacionalista (MHP), apresentou a minuta alegando que os turcos realizaram o "Newroz" há séculos no Oriente Médio. O DTP, que é ameaçado de se tornar ilegal por sua suposta proximidade ao PKK, anunciou que apoiará a ação do MHP.

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