Bagdá continua perigosa demais, dizem jornalistas

Levantamento diz que a cobertura da imprensa mostra quadro positivo demais sobre o conflito

DAVID MORGAN, REUTERS

28 de novembro de 2007 | 10h36

Quase 90 por cento dos jornalistasnorte-americanos no Iraque dizem que continua sendo perigosodemais frequentar grande parte da cidade, apesar da recenteredução na violência atribuída ao reforço militar enviado porWashington, segundo pesquisa divulgada na quarta-feira. O levantamento do Pew Research Center, de Washington,mostrou também que muitos jornalistas dos EUA acreditam que acobertura da imprensa mostra um quadro positivo demais doconflito. Outra pesquisa Pew divulgada na terça-feira havia indicadoque 48 por cento dos norte-americanos acreditam que o esforçomilitar dos EUA no Iraque vai bem ou bastante bem, altasignificativa em relação aos 34 por cento de junho. Por outro lado, a maioria dos jornalistas acredita que aviolência e o risco cresceram durante o período em que passaramno país. Os jornalistas que mais enfrentam o perigo são os própriosiraquianos, a quem muitas vezes cabem as pautas feitas fora dachamada Zona Verde (área protegida da capital, onde ficamórgãos públicos e embaixadas), segundo a pesquisa. Nos últimos 12 meses, 58 por cento dos órgãos de imprensaque atuam em Bagdá registraram assassinato ou sequestro decolaboradores iraquianos, disse a sondagem. Cerca de doisterços dos veículos de comunicação dizem que seus funcionáriossofrem ameaças físicas e verbais várias vezes por mês. "Os jornalistas -- a maioria deles veteranoscorrespondentes de guerra -- descrevem as condições no Iraquecomo as mais perigosas que já encontraram, e isso, acima detudo, está influenciando seus relatos", disseram os autores deum relatório que acompanha os dados. Pelo menos 122 jornalistas e 41 colaboradores foram mortosno Iraque desde a invasão norte-americana, em 2003, de acordocom o Comitê para a Proteção de Jornalistas. Cerca de 85 porcento das vítimas eram iraquianas. O Projeto Pew para a Excelência no Jornalismo ouviu 111jornalistas, que trabalharam no Iraque para 29 órgãos decomunicação, dos quais 28 norte-americanos. A pesquisa foifeita de 28 de setembro e 7 de novembro.

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