Bagdá tem restrições e violência no 5o aniversário da ocupação

Pelo menos 12 pessoas morreram naquarta-feira na favela xiita de Sadr City, em Bagdá, apesar dotoque de recolher parcial destinado a evitar incidentes noquinto aniversário da invasão norte-americana na cidade. A polícia disse que seis pessoas morreram em confrontosdurante a madrugada, e que seis outras morreram numa explosãomatinal, de causas ainda desconhecidas, numa funerária de SadrCity, o que deixou também 14 feridos. Qasim Al Mudalla, diretor de um hospital em Sadr City,disse que 4 corpos e 23 feridos deram entrada na quarta-feira.O bairro é cenário de confrontos entre soldados e milicianosxiitas desde domingo. "O que eles estão fazendo? O piso do hospital está cobertocom o sangue de crianças. O que o mundo está fazendo? Viram osangue das nossas crianças e não fazem nada", disse ele àReuters. Na terça-feira houve pelo menos 15 mortos e 200 feridos,segundo hospitais da favela, que tem 2 milhões de habitantes. Esta área na zona leste de Bagdá tem sido o foco nestasemana dos confrontos entre a milícia Exército Mehdi, doclérigo xiita Moqtada Al Sadr, e as forças locais enorte-americanas. No mês passado, as autoridades promoveram umacampanha de repressão à milícia em Basra (sul). Em nota, a Comissão de Direitos Humanos do Parlamentoalertou para a "trágica situação" em Sadr City, onde o cercomilitar de duas semanas já provoca escassez de alimentos eremédios. Sadr chegou a convocar uma manifestação contra os EUA paraa quarta-feira, mas a cancelou alegando temer pela segurança deseus seguidores. Outras áreas de Bagdá têm tranquilidade neste aniversárioda ocupação, quando vigora um toque de recolher parcial e aproibição da circulação de veículos. Muitas lojas estãofechadas, e as ruas estão livres. Os toques de recolher (que não impedem que as pessoas saiama pé) também vigoram em Samarra e Tikrit, cidade natal doditador Saddam Hussein, deposto pela ocupação iniciada em 2003. "Levei cinco anos para perceber que todas as promessas decomeçar uma nova vida democrática após a queda de Saddam foramna verdade uma piada de 1o de abril", disse Amina Abdul-Majeed,funcionária de um hospital que teve de ir andando para casa,após o plantão noturno, devido à restrição aos veículos. No caminho, ela passou pela praça, hoje vazia, onde ficavaa estátua de Saddam derrubada por soldados norte-americanos em9 de abril de 2003, numa das imagens mais simbólicas daguerra.

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