Baixas no Iraque continuam altas 1 ano após EUA encerrar combate

Pelo menos 2.600 civis, policiais e soldados iraquianos, além de 35 militares dos Estados Unidos, foram mortos no Iraque desde que o governo norte-americano encerrou formalmente as operações de combate no país, um ano atrás, revelam estatísticas dos dois governos.

JIM LONEY, REUTERS

01 Setembro 2011 | 12h19

Agora que as tropas dos EUA se preparam para deixar o Iraque até o fim do ano, as cifras mostram que a insurgência de sunitas e os ataques de milícias xiitas estão causando baixas significativas, apesar de a violência ter diminuído drasticamente após ter alcançado seu maior patamar depois da invasão do país em 2003 por forças lideradas pelos norte-americanos.

Em 31 de agosto de 2010 o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou o fim dos combates no Iraque e disse que os extremistas iriam continuar a colocar bombas, atacar civis iraquianos e tentar semear a luta sectária. "Mas no fim esses terroristas fracassarão em seu objetivo de atingir essas metas", afirmou então Obama.

As estatísticas do Ministério da Saúde do Iraque indicam que 1.604 civis foram mortos em atos de violência no último ano. Em agosto a cifra é de 155 mortes. Os ataques no mês passado incluíram um atentado suicida contra uma importante mesquita sunita, no qual morreram 32 pessoas, e uma série de ações coordenadas no dia 15, as quais deixaram um saldo de 60 mortos.

Nos últimos 12 meses morreram 588 policiais e 418 soldados iraquianos - 45 policiais e 39 soldados somente em agosto, segundo dados dos ministérios da Defesa e do Interior do Iraque.

As estatísticas do Departamento de Defesa dos EUA mostram que 56 militares do país morreram no último ano, dos quais 35 em incidentes de violência. Desde o início da guerra mais de 4.400 efetivos dos EUA foram mortos no Iraque. Não houve mortes entre os militares norte-americanos em agosto.

"O Iraque continua sendo um lugar muito perigoso", disse o porta-voz militar dos EUA no Iraque, general Jeffrey Buchanan.

Os EUA têm cerca de 43 mil soldados no país, mas já chegaram a manter ali cerca de 170 mil.

Segundo um acordo bilateral de segurança, as forças dos EUA devem deixar o Iraque até 31 de dezembro, mas políticos iraquianos estão analisando a possibilidade de manter algum contingente em ações de treinamento.

Autoridades militares iraquianas e norte-americanas dizem ter afetado seriamente a capacidade de ação da rede Al Qaeda. No entanto, as estatísticas dos EUA mostram que há em média 14 atentados ou outros tipos de ataques todos os dias no Iraque.

De acordo com a entidade Iraq Body Count, entre 102.344 e 111.861 pessoas foram mortas na Guerra do Iraque. Cerca de 4.800 integrantes da coalizão de países liderada pelos EUA também morreram.

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