Ban exige fim de 'interferência estrangeira' no Líbano

Segundo relatório do secretário-geral, 'Síria facilita o fluxo de armas e combatentes através da fronteira'

Efe,

25 de outubro de 2007 | 02h08

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu nesta quarta-feira, 24, o fim da "interferência estrangeira" no Líbano, que aprofunda a crise política do país, e pediu a eleição imediata de um novo presidente pelo Parlamento. Num relatório ao Conselho de Segurança, o secretário-geral mencionou especialmente o governo sírio. Ele disse ter recebido informações "que parecem corroborar as alegações de que a Síria facilita o fluxo de armas e combatentes através de sua fronteira com o Líbano". Ban afirmou que continua recebendo informação de que a milícia xiita do Hezbollah reconstruiu a sua infra-estrutura militar e se rearmou. O arsenal dos milicianos estaria num nível superior ao que tinha antes do conflito de 2006 com o Exército israelense. Por isso, ressaltou que espera a "cooperação inequívoca" dos países da região no desarmamento dos partidos políticos libaneses, especialmente da Síria e do Irã, que mantêm vínculos com o Hezbollah. "A penetração e a interferência estrangeira no Líbano só agrava a crise. É hora de parar a interferência estrangeira, para que o povo libanês e seus representantes políticos sejam os únicos a determinar o futuro do país", disse Ban. "Neste contexto, reitero minhas expectativas em relação à Síria". O relatório mostrou a preocupação de Ban com a interminável crise libanesa, os atentados contra políticos e o aparente rearmamento de suas facções, violando as resoluções da ONU. "Os assassinatos políticos no Líbano sugerem uma tentativa expressa de solapar as instituições democráticas", apontou. Presidência do Líbano O Parlamento libanês, dividido entre partidos pró-sírios e pró-ocidentais, há quase um ano tenta eleger um substituto para o presidente Emid Lahoud, que deve deixar o cargo no próximo mês. O líder da ONU enfatizou no relatório que o retorno ao diálogo político "é imperativo". "Não se pode produzir um vazio constitucional na presidência, nem formar dois governos rivais. É preciso respeitar a Constituição", advertiu Ban.

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