Baradei vê 'oportunidade' para o Irã em relatório americano

No Brasil, diretor da Agência Nuclear diz que documento americano é consistente com avaliação da AIEA

REUTERS

05 de dezembro de 2007 | 10h54

O relatório das agências de inteligência dos Estados Unidos, que diz que o Irã interrompeu seu programa de armas nucleares em 2003, oferece ao governo de Teerã uma "janela de oportunidade" para resolver a crise, afirmou nesta quarta-feira, 5, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.  Veja TambémIrã declara vitória após relatório dos EUARice reafirma ameaça de programa nuclear "Isso abre uma janela de oportunidade para o Irã agora, porque Teerã, obviamente, teve de alguma forma (sua posição) justificada quando disseram que eles não estavam trabalhando em um programa de armas, pelo menos, nos últimos anos", disse ElBaradei em entrevista coletiva em Brasília.  O diretor da AIEA foi recebido nesta manhã pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, no Itamaraty. À tarde, deverá se encontrar com o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e partir para o Rio de Janeiro, onde visitará a usina responsável pelo enriquecimento de urânio na cidade de Resende. O relatório de inteligência contradiz as afirmações feitas pelo governo do presidente americano George W. Bush, que acusa Teerã de manter um programa ativo para o desenvolvimento de uma bomba atômica.  "O relatório me dá um certo alívio porque é consistente com nossa avaliação", afirmou ElBaradei.  Em discurso para uma multidão no Irã nesta quarta-feira, o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad aproveitou para faturar com o relatório. "Esse relatório representa uma vitória para a nação iraniana contra todas as potências internacionais", disse ele.  "Vocês viram o relatório da inteligência americana. Eles disseram claramente que o povo iraniano está no caminho certo." Ameaça Apesar das conclusões da Estimativa de Inteligência Nacional (NIE, na sigla em inglês), Bush disse na terça-feira, 4, que o Irã permanece sendo uma ameaça à segurança mundial. Isso porque, ainda segundo o relatório, a República Islâmica continua desenvolvendo tecnologias nucleares que poderiam ser aplicadas na produção de armas caso Teerã decida dar prosseguimento a seu programa bélico. Os Estados Unidos e seus aliados europeus querem aprovar uma nova rodada de sanções contra o Irã nas Nações Unidas, mas a China, país com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, questiona a necessidade de novas medidas em virtude do conteúdo do relatório americano.  Nesta quarta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reforçou as palavras de Bush.  "Existe uma visão bastante forte da administração americana de que o regime iraniano pode ser tornar problemático e perigoso e a comunidade internacional deve continuar a tentar impor sanções através do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse ela. Sem garantias Perguntado se concorda que o Irã permanece uma ameaça, ElBaradei afirmou: "Obviamente não podemos neste estágio dar uma garantia, porque há trabalho a ser feito... Se o Irã continua a ser uma ameaça, para quem, e sob quais condições, essas são questões que precisam ser discutidas numa mesa de negociação."  Mas o Irã deve garantir que todo o seu histórico de atividade nuclear e a atual situação do país sejam declarados à AIEA, disse ElBaradei. "Quanto antes tivermos uma resolução pacífica da questão no Irã, mais cedo teremos alguma esperança de alcançarmos a paz no Oriente Médio", disse ele. (com Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo)  

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