Barak diz que trabalhistas não terão voz na oposição de Israel

Líder do partido de esquerda pede apoio ao acordo de coalizão com o governo de direita de Netanyahu

Efe e Associated Press,

24 de março de 2009 | 14h09

O ministro da Defesa israelense e líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, pediu nesta terça-feira, 24, que os membros de seu partido apoiem a entrada em um governo liderado pelo dirigente do conservador Likud, Benjamin Netanyahu. Diante dos aos membros do Comitê Central do Partido Trabalhista, reunidos em uma agitada sessão para decidir sobre a eventual entrada da legenda em um Executivo de direita, Barak afirmou que os trabalhistas não terão voz na oposição com as 13 cadeiras que conseguiram no Parlamento. "Não busco uma cadeira ministerial", acrescentou.

 

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O líder do Partido Trabalhista chegou esta manhã a um acordo com o chefe do Likud para entrar no próximo governo israelense. Equipes dos dois partidos passaram a noite negociando os últimos detalhes de um pacto que oferece ao trabalhismo entrar no Executivo de Netanyahu com cinco ministros, dois vice-ministros e um cargo de presidente de comissão parlamentar, informou a imprensa local.

 

Os 1,47 mil membros do Comitê Central do Partido Trabalhista votam nesta terça se apoiam ou rejeitam a entrada da legenda no governo liderado por Netanyahu. O resultado é esperado para as 20h30 locais (15h30 em Brasília). A expectativa é de que a votação seja apertada, mas metade dos deputados trabalhistas no Parlamento é contra a adesão por causa da oposição de Netanyahu aos esforços de paz.

 

Em meio às vaias de várias dezenas de jovens, Barak pediu aos trabalhistas que deixassem para trás o "radicalismo" e votassem pela "unidade". Em discurso interrompido em várias ocasiões pelas vaias e gritos dos críticos, Barak continuou: "não temos outro país. Podem gritar 'oposição', tudo o que quiserem, mas a maioria dos eleitores trabalhistas quer nos ver no governo". "O povo precisa e quer um governo de unidade e que possamos equilibrar a balança (...). Lideraremos não com palavras, mas com fatos", disse o dirigente trabalhista.

 

Uma das opositoras à iniciativa, a deputada e jornalista Shelly Yacimovich, insistiu no encontro que "não há nenhuma vergonha em se sentar na oposição. Pelo contrário, é uma grande honra". A deputada acrescentou que "este é o governo de Netanyahu, de (chefe do ultra-direitista Yisrael Beiteinu, Avigdor) Lieberman e do Shas (partido religioso sefardita), e seu programa não coincide com o nosso".

 

Na última semana, muitos dentro do trabalhismo foram contra entrar em um governo liderado pelo Likud, e sete dos 13 deputados que o Partido Trabalhista conseguiu nas eleições de 10 de fevereiro manifestaram sua oposição a um pacto como o alcançado esta manhã. Na segunda-feira, estes sete parlamentares enviaram uma carta a Netanyahu na qual deixam claro que não se sentirão vinculados por um possível acordo.

 

Numa abertura aos trabalhistas, Netanyahu compromete-se a retomar a busca por um acordo de paz com os palestinos, elaborar um plano amplo de paz para o Oriente Médio e ater-se aos acordos existentes. Netanyahu é um crítico das negociações de paz com os palestinos. Ele argumenta que as condições atuais não são adequadas para se buscar um acordo. Nas últimas semanas, porém, ele amenizou seu discurso em uma tentativa de atrair facções mais moderadas do cenário político de Israel.

 

Uma coalizão mais ampla daria mais estabilidade a seu governo e não o tornaria refém de parceiros menores de coalizão. Além disso, um governo mais moderado daria mais credibilidade internacional a sua coalizão por causa do comprometimento de pelo menos parte de seus parceiros com as negociações de paz.

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