Barak minimiza risco de armas químicas sírias

Israel minimizou na segunda-feira o risco decorrente das armas químicas sírias, no que parece ser uma nova postura depois das ameaças de uso da força militar para evitar que esse arsenal caia nas mãos de militantes islâmicos.

DAN WILLIAMS, Reuters

30 de julho de 2012 | 11h18

A maior preocupação de Israel é que o Hezbollah, grupo xiita libanês que tem apoio do Irã e da Síria, receba armas químicas do regime de Bashar al-Assad, que enfrenta uma insurgência há 16 meses.

Os alertas de Israel sobre esse perigo alimentaram o temor de uma nova guerra no Oriente Médio e fizeram disparar a demanda por máscaras antigás distribuídas pelo governo de Israel.

Na semana passada, a Síria admitiu pela primeira vez que possui armas químicas, mas disse que elas estão protegidas e serão usadas apenas como último recurso contra uma eventual "agressão externa", e não contra os rebeldes sírios.

Depois dessa declaração, Israel passou a exibir um otimismo cauteloso. "Nada irá acontecer", disse o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, à Rádio Israel. Em tom de brincadeira, ele disse que irá devolver sua máscara antigás.

"Na minha opinião, ninguém no mundo ousaria usar armas químicas contra Israel. Então nada vai acontecer."

Acredita-se que Israel possua o único arsenal nuclear do Oriente Médio, algo que o país não confirma nem nega. Por isso, o Estado judeu teria condições de dissuadir ou retaliar qualquer ataque não-convencional.

O Hezbollah não comenta as especulações de que poderia querer armas químicas sírias. O grupo xiita travou em 2006 uma inconclusiva guerra na fronteira do Líbano com Israel. Barak disse depois disso que, em caso de um novo conflito, Israel poderia agir militarmente no Líbano inteiro, por causa do papel do Hezbollah na política partidária libanesa.

Algumas autoridades israelenses também temem que radicais sunitas envolvidos na rebelião contra Assad possam tentar se apropriar do arsenal químico sírio. Outro cenário sugerido é que Assad poderia usar as armas químicas contra Israel, num esforço suicida para assegurar seu legado no mundo árabe.

Israel está tecnicamente em guerra contra a Síria, e ocupa desde 1967 as colinas do Golã, território que posteriormente anexou.

Mas os países não trocam tiros há três décadas, e na semana passada o chefe das Forças Armadas israelenses disse ao Parlamento que o risco de uma "deterioração incontrolável" na Síria é visto pela imprensa local como um alerta para que Israel não abra uma nova frente de luta contra Assad.

"Enquanto a situação na Síria ainda estiver sob o controle de Assad, Israel não tem razão para se preocupar", disse o articulista Eitan Haber no jornal Yedioth Ahronoth. “Enquanto eles estiverem no comando, a suposição é de que eles não usarão a arma apocalíptica - com ênfase no 'enquanto'."

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