AP
AP

Benjamin Netanyahu reconduz a direita israelense ao poder

Novo primeiro-ministro tem nova chance de chefiar o Estado de Israel depois de dez anos após deixar o posto

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 11h23

Dez anos depois de ter sido preterido pelos israelenses, Benjamin Netanyahu tem uma nova chance de exercer o poder. O Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano, o programa nuclear do Irã e os problemas econômicos de Israel forneceram os elementos de que ele precisava para pôr fim ao desvio ideológico do Likud e dobrar sua participação na Knesset (Parlamento). Porém, a coalizão de governo do novo premiê e agora líder de uma coalizão inclinada à direita, é resultado do excesso de promessas de postos para atrair aliados.

 

Netanyahu, de 59 anos, conseguiu ressurgir com o discurso linha-dura de que a cessão unilateral das terras ocupadas aos árabes acabou tendo um efeito contrário, encorajando os inimigos islâmicos do Estado judeu. Em 1996, tornou-se o mais jovem premiê israelense ao derrotar Shimon Peres, líder trabalhista, cujos acordos provisórios de paz foram apagados por uma onda de atentados suicidas do Hamas.

 

Liderou o país por três anos, entre 1996 e 1999. Seu mandato, porém, durou pouco tempo: foi forçado a deixar o cargo ao antecipar as eleições em 17 meses. Ele foi alvo de investigação, acusado de roubo e suborno. Entre outras coisas, Netanyahu foi acusado de ficar com dezenas de presentes que deveriam ter sido devolvidos ao Estado de Israel. Conhecido por sua intransigência em relação às reivindicações palestinas, Netanyahu não contempla em seu discurso público a criação de um Estado palestino.

 

Conhecido por sua intransigência em relação às reivindicações palestinas, Netanyahu não contempla em seu discurso público a criação de um Estado palestino. O líder do Likud é defensor da promoção de "relações comerciais" entre Israel e os palestinos, como alternativa à postura da rival Tzipi Livni de negociar com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do moderado Mahmoud Abbas, a criação de um Estado na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

 

Diferentemente das pretensões para o Oriente Médio do governo de Obama, Netanyahu afirma ser "impossível" firmar um acordo de paz com a Autoridade Nacional Palestina e se opõe à redução dos assentamentos israelenses no território da Cisjordânia. O político direitista também se opôs à retirada israelense da Faixa de Gaza, colocada em prática por seu ex-colega de partido Ariel Sharon, em 2005, e recentemente defendeu "remover" o grupo radical islâmico Hamas do poder no território palestino.

 

Embora tenha ofendido publicamente o líder palestino Yasser Arafat, Netanyahu entregou-lhe em 1997 a maior parte de Hebron, ignorando a recusa do Likud de desistir do território bíblico. Mas quando deu início aos assentamentos de Har Homa, no lado judeu da Cisjordânia, o acordo de paz intermediado pelos EUA mergulhou numa crise que culminou em sua derrota para o trabalhista Ehud Barak.

 

Quando adolescente, sua família se mudou para os Estados Unidos, onde ele terminou os estudos. De volta a Israel, Bibi passou cinco anos no Exército como capitão de uma unidade de elite. Ao deixar a carreira militar, Netanyahu retornou aos Estados Unidos, onde estudou em Harvard e no Massachussets Institute of Technology (MIT). Em 1981, ganhou um posto na embaixada americana em Washington, onde era amigo do embaixador Moshe Arens. Posteriormente, tornou-se embaixador de Israel nas Nações Unidas.

 

Os postos diplomáticos o tornaram figura frequente na TV americana e conhecida no país por defender os interesses de Israel. Somente ao retornar a Israel, em 1988, ele ingressou na política doméstica. Foi eleito para uma cadeira no Parlamento e nomeado vice-ministro das Relações Exteriores. Foi ministro da Economia de Sharon a partir de 2003 -- suas reformas econômicas são vistas por muitas pessoas como responsáveis pelo crescimento.

Tudo o que sabemos sobre:
Israel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.