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Benjamin Netanyahu reconduz direita israelense ao poder

'Duas guerras em 3 anos' - como o Likud gosta de lembrar, ajudaram na popularidade do premiê conservador

Agências internacionais,

11 de fevereiro de 2009 | 07h20

Benjamin Netanyahu, líder do partido direitista Likud, se perfila como o próximo chefe de governo de Israel depois de três anos nas sombras, esperando pela oportunidade de voltar ao poder do país. Netanyahu, conhecido como Bibi pelos amigos e inimigos, liderou o país por três anos entre 1996 e 1999. Seu mandato, porém, durou pouco. Ele foi forçado a deixar o cargo ao antecipar as eleições em 17 meses. Desde então, sua atuação se voltou cada vez mais à direita.

 

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O político de 58 anos foi ainda chanceler e, durante a campanha eleitoral, manteve-se confiante com a liderança nas sondagens. Nada parece fazer com que se repita a última votação de 2006, quando o Likud sofreu o pior resultado de sua história ao obter apenas 15 deputados.

 

A população parece ter deixado de lado sua política instável e os escândalos de corrupção que viveu enquanto foi premiê. Netanyahu e sua mulher foram alvo de investigação, acusados de roubo e suborno. Entre outras coisas, Netanyahu foi acusado de ficar com dezenas de presentes que deveriam ter sido devolvidos ao Estado. Ele negou todas as acusações e o processo acabou arquivado por falta de provas.

 

A trajetória errática seguida pelo se ex-companheiro de partido, Olmert, que deixa o cargo por quatro processos de suspeita de corrupção, colaboraram para dissipar a memória do eleitorado. Essas circunstâncias, além de "duas guerras em três anos" - como ressalta o Likud, em referência ao conflito contra o Líbano e a recente ofensiva em Gaza - abriram caminho para o retorno de Netanyahu.

 

Quando adolescente, sua família se mudou para os Estados Unidos, onde ele terminou os estudos. De volta a Israel, Bibi passou cinco anos no Exército como capitão de uma unidade de elite. Ao deixar a carreira militar, Netanyahu retornou aos Estados Unidos, onde estudou em Harvard e no Massachussets Institute of Technology (MIT). Em 1981, ganhou um posto na embaixada americana em Washington, onde era amigo do embaixador Moshe Arens. Posteriormente, tornou-se embaixador de Israel nas Nações Unidas.

 

Os postos diplomáticos o tornaram figura frequente na TV americana e conhecida no país por defender os interesses de Israel. Somente ao retornar a Israel, em 1988, ele ingressou na política doméstica. Foi eleito para uma cadeira no Parlamento e nomeado vice-ministro das Relações Exteriores. Foi ministro da Economia de Sharon a partir de 2003 -- suas reformas econômicas são vistas por muitas pessoas como responsáveis pelo crescimento.

 

Conhecido por sua intransigência em relação às reivindicações palestinas, Netanyahu não contempla em seu discurso público a criação de um Estado palestino. O líder do Likud é defensor da promoção de "relações comerciais" entre Israel e os palestinos, como alternativa à postura de Livni de negociar com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do moderado Mahmoud Abbas, a criação de um Estado na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

 

Likud 

 

Fundado em 1973 por Herut de Menachem Begin, o partido de direita teve como um de seus principais expoentes o premiê Ariel Sharon, que também foi uma de suas maiores decepções após anunciar a saída do partido em meio aos preparativos para as eleições de 2006. Com criação de um novo partido, o Kadima, Sharon arrastou consigo boa parte dos líderes mais poderosos do Likud. Em 2003 o Likud adquiriu grande poder político conquistando 40 cadeiras do Knesset. Em sua plataforma de governo, o Likud é enfático com relação aos palestinos

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