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Bento XVI chega a Israel citando vítimas do Holocausto

Papa deve usar a viagem ao Oriente Médio para amenizar a crise causada por um bispo que negou o Holocausto

REUTERS

11 de maio de 2009 | 08h42

O papa Bento XVI usou seu primeiro discurso em Israel para relembrar os 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas e para tentar apagar a má impressão deixada pela reintegração de um bispo que negou o Holocausto. "Tragicamente, o povo judeu experimentou as terríveis circunstâncias das ideologias que negam a dignidade fundamental de cada pessoa humana", disse ele no aeroporto Ben-Gurion, em Tel Aviv.

Em seguida, o papa defendeu a criação de um Estado palestino, contrariando a posição do governo direitista de Israel. "Terei a oportunidade de honrar a memória dos 6 milhões de judeus vítimas da Shoah, e de rezar para que a humanidade nunca mais testemunhe um crime de tal magnitude", disse o papa, usando a palavra hebraica para o Holocausto. Depois do desembarque, um helicóptero militar levou o papa para Jerusalém.

Nos 45 anos desde que o Concílio Vaticano Segundo repudiou o conceito da culpa coletiva dos judeus pela morte de Cristo, as relações judaico-católicas têm sido assombradas pelo Holocausto e pela questão de o que a Igreja fez ou deixou de fazer a respeito.


 

Em janeiro, o papa incomodou muitos judeus ao suspender a excomunhão de quatro bispos tradicionalistas, entre eles um que negava o fato de que 6 milhões de judeus foram mortos pelos nazistas.

O Vaticano diz que não sabia o suficiente sobre o passado do bispo britânico, e líderes de ambas as religiões esperam que a questão seja superada na segunda-feira com uma visita de Bento XVI ao Yad Vashem, memorial em Jerusalém às vítimas do Holocausto.

Ao chegar da Jordânia, o papa disse ser "totalmente inaceitável" que o antissemitismo "continue levantando sua feia cabeça" em muitas partes do mundo.

 

'Missão espiritual'

Ao recepcioná-lo, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse: "Vemos a sua visita aqui à Terra Santa como uma importante missão espiritual da mais alta ordem, uma missão de paz, uma missão de plantar sementes para a tolerância e erradicar as sementes do fanatismo".

Reiterando a política do Vaticano, o papa defendeu uma "resolução justa" do conflito israelo-palestino, "para que ambos os povos possam viver em paz numa pátria própria, dentro de fronteiras seguras e internacionalmente reconhecidas".

Desde que tomou posse como primeiro-ministro de Israel, em 31 de março, Benjamin Netanyahu se recusa a discutir especificamente a criação do Estado palestino na Cisjordânia e Faixa de Gaza, o que é prioridade para árabes e norte-americanos. O papa deve ir à Cisjordânia na quarta-feira.

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