Bispos católicos apelam à ONU pelo fim da ocupação israelense

Sínodo para o Oriente Médio reúne no Vaticano, desde 10 de outubro, 185 bispos

EFE, EFE

23 de outubro de 2010 | 13h04

Os bispos católicos apelam à comunidade internacional e, especialmente, as Nações Unidas para que coloque fim, mediante a aplicação das resoluções de seu Conselho de Segurança, à ocupação israelense dos "diferentes territórios árabes".

 

Esta é a principal conclusão da mensagem final do Sínodo para o Oriente Médio que reúne no Vaticano desde 10 de outubro 185 bispos e que neste domingo será encerrado pelo papa Bento XVI.

 

No texto, divulgado neste sábado pela Santa Sé e que rejeita o recurso à Bíblia para justificar as "injustiças", os bispos participantes do Sínodo, dos quais 101 provêm do Oriente Médio, expressam sua esperança para que a solução "dois povos, dois Estados" para israelenses e palestinos se transforme em uma realidade.

 

"Os cidadãos dos países do Oriente Médio apelam à comunidade internacional, em particular à ONU, para que trabalhe sinceramente em uma solução de paz justa e definitiva para região, e isto por meio da aplicação das resoluções do Conselho de Segurança e da adoção de medidas jurídicas necessárias para colocar fim à ocupação dos diferentes territórios árabes", reza o texto.

 

"O povo palestino poderá assim ter uma pátria independente e soberana e viver ali de forma digna e estável. O Estado de Israel poderá gozar de paz e de segurança dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas", prossegue.

 

"Somos conscientes do impacto do conflito palestino-israelense na região, sobretudo no povo palestino, que sofre as consequências da ocupação israelense, a falta de liberdade de movimento, o muro de separação e as barreiras militares, os prisioneiros políticos, a demolição de casas, a perturbação da vida econômica e social e os milhares de refugiados", indica o texto.

 

"Todos nós somos interpelados pela palavra de Deus. Ela nos convida a escutar a voz de Deus, que nos fala de paz. Mas não está permitido que se recorra a posições teológicas bíblicas para fazer disso um instrumento para justificar as injustiças", acrescenta.

 

Os bispos, que condenam o antissemitismo, o anticristianismo e a fobia ao islã, esperam que, com o "diálogo contínuo" existente entre a Igreja Católica e o judaísmo se possa atuar para "colocar fim ao conflito político que não deixa de separar-nos e de perturbar" a vida na região.

 

Expressam a "preocupação" pelo fato de que iniciativas unilaterais possam mudar a demografia e o estatuto de Jerusalém como "patrimônio religioso para cada uma das três religiões: judaica, cristã e muçulmana".

 

"Deus nos quer juntos, unidos", apontam os bispos, que expressam sua solidariedade com os cristãos iraquianos e esperam que "Iraque possa pôr fim às consequências da guerra assassina e restabelecer a segurança que proteja a todos seus cidadãos, com seus componentes sociais, religiosos e nacionais".

 

O Sínodo para o Oriente Médio pede "aos governos e aos responsáveis públicos" da região que freiem a "hemorragia" de cristãos que emigram da zona pela insegurança que sentem.

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