Bloco sunita abandona parlamento no Iraque em meio a impasse

O maior bloco sunita iraquiano abandonouo Parlamento no sábado, e seu líder disse que foi posto emprisão domiciliar, depois de seu filho e dezenas de seusassessores terem sido detidos. Saleem al Jubouri, porta-voz da Frente da Conformidade,disse que o grupo não vai voltar ao Parlamento enquanto seulíder, Adnan al Dulaimi, não puder sair de sua residência. "Abandonamos a sessão hoje e anunciamos que não vamosparticipar das sessões hoje ou amanhã a não ser que a pressãosobre o Dr. Dulaimi cesse e ele seja autorizado a deslocar-separa onde quiser", disse Jubouri à Reuters no Parlamento,dentro da fortemente protegida "Zona Verde" de Bagdá, ondeficam representações diplomáticas e governamentais. O impasse pode agravar a tensão sectária entre a comunidademinoritária sunita e o governo liderado por xiitas, num momentoem que a violência no Iraque vem diminuindo, mas os avanços emdireção à reconciliação política ainda são lentos. As forças americanas e o governo iraquiano disseram quepediram a Dulaimi que ficasse em casa para garantir suasegurança, depois de tropas iraquianas terem prendido dezenasde seus assessores e guarda-costas por suspeita de vínculos comum carro-bomba encontrado perto do gabinete dele. Dulaimi contou que tentou sair de casa, mas foi impedidopor soldados que vigiam a residência e lhe contaram quereceberam ordens para mantê-lo confinado. "Isso significa que estou em prisão domiciliar", disseDulaimi à Reuters pelo telefone. "Isso é contra a lei, a Constituição, a decência, areconciliação e a calma. Isso não deveria ter acontecido." Um porta-voz do governo, Ali al Dabbagh, negou que Dulaimiesteja sendo mantido em prisão domiciliar. "Não houve ordenspara colocar o Dr. Dulaimi em prisão domiciliar. Ele temimunidade parlamentar, e o governo a respeita", disse Dabbagh àReuters. "Ele está sob custódia para sua própria proteção e porquehá investigações em curso." O Parlamento iraquiano se reuniu no sábado e iniciou umasegunda leitura de uma lei que permitirá o retorno à vidapública de membros do partido Baath, do ex-líder SaddamHussein. A lei é uma das principais medidas que Washington esperaque possam reconciliar as comunidades iraquianas em conflito.Mas, sem a participação do bloco de Dulaimi, um avanço nessesentido é visto como improvável.

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