Bloqueio de Israel piora condições de vida na Faixa de Gaza

Hospitais da Faixa de Gaza ficarão semremédios e sem combustível para seus geradores de energiadentro de alguns dias se Israel não aliviar o bloqueio impostoao território controlado pelo Hamas, afirmaram na segunda-feiraorganizações internacionais. A União Européia (UE), que custeia o envio de combustívelpara uma usina de energia da Faixa de Gaza agora paralisada,disse compreender o fato de Israel precisar defender seuscidadãos contra os ataques com foguete realizados do territóriopalestino, mas classificou as restrições como uma "puniçãocoletiva". Moradores da empobrecida região acordaram na segunda-feirapara ver as ruas de suas cidades quase desprovidas de veículose as lojas fechadas, já que a gasolina começou a faltar desdeque Israel fechou os postos de fronteira da Faixa de Gaza nasexta-feira. Autoridades palestinas alertaram que o impasse com osmilitantes do território, que prometeram continuar com osdisparos de foguete, poderia prejudicar os esforços de pazpatrocinados pelos EUA. "Não há combustível, o que significa dizer que não hátrabalho", afirmou Abu Mahmoud, um pescador. "Já enfrentamostempos difíceis antes, mas nunca piores do que os atuais." Autoridades da UE e da Organização das Nações Unidas (ONU)disseram que as entidades pressionam Israel para permitir aentrada imediata de combustível e remédios na Faixa de Gaza,onde moram 1,5 milhão de pessoas. "Esperamos ver hoje uma decisão positiva", afirmou RichardMiron, porta-voz de Robert Serry, o enviado da ONU ao OrienteMédio. Michele Mercier, porta-voz do Comitê Internacional da CruzVermelha, disse que os hospitais do território "ainda possuemestoques". "Mas eles não durarão mais que dois ou três dias". "Se mais material não for enviado, pode-se imaginar o queacontecerá com o tratamento dos feridos e com o tratamentomédico do dia-a-dia", afirmou ela. A principal usina de energia da Faixa de Gaza parou defuncionar no domingo, deixando grande da Cidade de Gaza àsescuras. Apesar de a instalação fornecer cerca de 30 por cento daeletricidade no território, seu fechamento afetou uma proporçãomuito maior dos moradores devido à forma como funciona a redede distribuição de energia. A ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni,afirmou que seu país procura "manter um nível humanitáriorazoável" na Faixa de Gaza sem deixar de "travar uma guerracontra o terrorismo". "O povo palestino precisa compreender que não haverá umavida cotidiana rotineira ou uma situação econômica normalizadaenquanto os cidadãos israelenses não conseguirem ter uma vidanormal", disse a chanceler a repórteres, em uma cidade do sulde Israel atingida frequentemente pelos foguetes. (Com reportagem de Mohammed Assadi em Ramallah e AdamEntous em Jerusalém)

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