Bomba mata cientista nuclear no Irã e crise aumenta

Um cientista nuclear iraniano morreu quando seu carro explodiu atingido por um motociclista nesta quarta-feira, o que levou o governo do Irã culpar agentes israelenses e norte-americanos, mas insistir que o assassinato não o iria desviar do caminho de desenvolver o programa nuclear do país. A tensão sobre a questão nuclear provoca temores de guerra e ameaça o fornecimento mundial de petróleo.

RAMIN MOSTAFAVI, REUTERS

11 de janeiro de 2012 | 15h11

No quinto ataque à luz do dia contra especialistas iranianos em dois anos, a bomba do tipo magnético do assassino provocou uma explosão na porta do sedã prata do engenheiro químico Mostafa Ahmadi-Roshan, de 32 anos, quando ele dirigia em uma rua movimentada perto da Universidade de Teerã durante a hora do rush, pela manhã. O passageiro do carro também morreu, disse a mídia iraniana, e um pedestre ficou levemente ferido.

Israel, cujo chefe militar alertou o Irã na terça-feira para esperar mais percalços misteriosos, não quis fazer comentários. Enquanto muitos analistas enxergam o envolvimento israelense ou ocidental como plausível, não está descartada a possibilidade de que tenha sido obra de iranianos ou tenha outra origem no próprio Oriente Médio.

O assassinato, que deixou destroços pendendo de árvores e partes de corpos na rua, acontece em uma semana de tensão.

O Irã iniciou trabalhos em uma usina subterrânea de enriquecimento de urânio e sentenciou um norte-americano à morte por espionagem; Washington e a Europa aumentaram os esforços para enfraquecer as exportações de petróleo do Irã por sua recusa em suspender o trabalho que, segundo o Ocidente, tem o objetivo de fabricar armas nucleares, e não o de produzir energia como afirma o Irã; o Irã ameaçou prejudicar o fornecimento de petróleo do Golfo para o Ocidente, provocando uma advertência dos EUA de que sua Marinha estava preparada a abrir fogo para evitar qualquer bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.

No entanto, analistas veem o último assassinato, que teria necessitado de preparação, como parte das tentativas de frustrar o programa nuclear do Irã, que também incluiu vírus de computador e explosões misteriosas.

Embora o temor de guerra tenha aumentado o preço do petróleo, a região já passou por períodos de troca de ameaças e derramamento de sangue limitado sem chegar a um conflito total.

No entanto, a disposição de Israel - que vê uma iminente bomba atômica iraniana como uma ameaça à sua existência - de atacar instalações nucleares iranianas, com ou sem o apoio dos EUA, aumentou a sensação de que uma crise se aproxima.

ATO HEDIONDO

A Organização de Energia Atômica do Irã, que não conseguiu persuadir o Ocidente de que sua busca por energia nuclear não tem um objetivo militar oculto, disse que o assassinato de Ahmadi-Roshan não a deteria: "Continuaremos nosso caminho sem nenhuma dúvida... nosso caminho é irreversível", disse em comunicado transmitido pela televisão.

"O ato hediondo da América e do regime sionista criminoso não desviará nosso caminho glorioso... quanto mais vocês nos matam, mais nossa nação desperta".

O primeiro vice-presidente Mohammad Reza Rahimi disse, segundo a agência de notícias Irna: "Os inimigos do Irã deveriam saber que não poderão impedir o progresso do Irã com tais atos terroristas".

Preparando-se para a primeira eleição nacional desde que uma votação presidencial polêmica em 2009 provocou protestos de rua contra os 30 anos de governo clerical, os líderes do Irã lutam para conter a tensão interna. Desafiar Israel e as potências ocidentais cai bem entre muitos eleitores na nação de 76 milhões de habitantes.

Israel, cuja agência de inteligência Mossad tem um histórico de assassinatos secretos no exterior, não quis comentar o atentado desta quarta-feira.

Não houve uma reação imediata dos Estados Unidos. Seu aliado, a Grã-Bretanha, cuja embaixada em Teerã foi saqueada em novembro, descreveu as sugestões de um envolvimento de Londres como "infundadas" e condenou o assassinato de civis.

De qualquer forma, o ataque traz algumas marcas do trabalho de agências de inteligência sofisticadas, capazes de driblar o extenso aparato de segurança do Irã e também de mostrar cuidado em limitar os danos aos passantes.

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