Bombardeio israelense fere oito palestinos no sul de Gaza

Entre os feridos estão um insurgente e sete crianças; militantes lançam foguetes contra o sul de Israel

Agências internacionais,

29 de janeiro de 2009 | 08h42

 O cessar-fogo em Gaza parece se aproximar de seu fim nesta quinta-feira, 29, apesar dos esforços do enviado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reforçar a frágil trégua. Um bombardeio realizado nesta manhã por Israel deixou oito civis palestinos feridos , entre eles um militante e sete crianças, na cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. O ataque do Exército israelense é uma represália ao lançamento de dois foguetes Qassam na noite de quarta e nesta manhã contra o sul do território israelense por milicianos palestinos, ações que não deixaram vítimas. Aviões israelenses ainda atacaram uma fundição na região e, segundo o Exército de Israel, eram fabricadas armas no local.  Veja também:Hamas rejeita trocar soldado por abertura de fronteiraIsrael bombardeia túneis na fronteiraLinha do tempo dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza      Apesar da trégua, Israel e o Hamas continuam abrindo fogo, mas em menor intensidade do que na ofensiva de 22 dias contra o território palestino. Um projétil feriu de gravemente um miliciano palestino que andava de motocicleta nas proximidades do hospital de Nasser, no centro da cidade de Khan Younis, e deixou mais sete crianças que retornavam da escola feridas, informou Muawiya Hassanein, chefe do serviço de emergências do território palestino. Além disso, um porta-voz militar israelense disse à Efe que o miliciano era "o terrorista Mohammed Uda Chamdam Samiri, de 25 anos, membro conhecido da Jihad Global e ex-membro do Hamas, tendo recebido treinamento terrorista com o Hamas". O Exército israelense acusa Samiri de estar envolvido no ataque com uma bomba na última terça nas proximidades de Kissufim, ação que deixou um oficial do Exército israelense morto e três soldados feridos, além de participar de outro ataque similar na mesma região em março de 2008, no qual morreram outros dois soldados. As Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, braço armado do Fatah, reivindicaram em comunicado a autoria de um dos lançamentos, que atingiu a região de Ashkol, e afirmou que "o ataque de foguetes é uma resposta à violação diária do cessar-fogo por Israel". Outro foguete atingiu as proximidades de Sderot, mas nenhuma milícia assumiu a responsabilidade por seu lançamento. Estes dois foguetes são os primeiros lançados a partir de Gaza desde que Israel e Hamas declararam um cessar-fogo no dia 18 de janeiro. Ninguém ficou ferido nos ataques, mas um aumento da violência nos dois últimos dias ameaça ressuscitar uma guerra lançada por Israel no dia 27 de dezembro para pôr fim aos ataques com foguetes. O ex-senador norte-americano George Mitchell, enviado de Obama para o Oriente Médio, planeja reunir-se com o presidente palestino Mahmoud Abbas na Cisjordânia, após participar de negociações na quarta-feira com o Egito, que tenta mediar uma trégua duradoura. Ao repetir os pedidos de Obama pela retomada das negociações de paz, Mitchell disse ser "de importância vital que o cessar-fogo em Gaza seja ampliado e consolidado". Mas com as eleições israelenses de 10 de fevereiro se aproximando, líderes israelenses usavam uma retórica dura quando o assunto era a segurança, uma das principais preocupações do eleitorado. Eles prometeram uma resposta vigorosa à explosão que matou um soldado israelense na fronteira com Gaza na terça-feira e aos foguetes lançados contra seu território. Militantes palestinos afirmam que os ataques com foguetes eram um revide pela morte de três palestinos por israelenses desde o início da trégua.

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