Bombardeio mata 10 em escola da ONU e Israel promete trégua humanitária

Ataque ‘contra terroristas’ foi lançado pelo Exército de Israel em entrada de instalação em Rafah, no sul da faiza de Gaza; cessar-fogo deve começar nesta segunda

Lourival Sant’Anna, enviado especial a Gaza, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2014 | 20h26

Gaza - Um míssil disparado por um avião israelense caiu neste domingo, 3, na entrada de uma escola mantida pela ONU em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matando 10 pessoas e ferindo cerca de 30. É a terceira vez em quatro semanas que as forças israelenses atingem uma escola da ONU – um ataque condenado internacionalmente.

Cerca de 3 mil pessoas estão abrigadas na escola, tentando se proteger justamente dos disparos da artilharia israelense, que castigam a região da fronteira, em busca de túneis cavados pelo Hamas. O Exército de Israel explicou que seu alvo eram “três terroristas da Jihad Islâmica em uma motocicleta” nas proximidades da escola, e estavam “examinando as consequências do ataque”. Israel anunciou nesta noite que fará uma trégua humanitária na maior parte de Gaza entre 8 e 15 horas, após retirar alguns de seus soldados do território, mas mobilizar outros mais para o centro.

Na quarta-feira, ao menos 15 pessoas foram mortas por disparos da artilharia israelense em outra escola da ONU em Jabalya, 4 quilômetros ao norte de Gaza. O Exército de Israel se justificou dizendo que combatentes haviam disparado morteiros de uma área próxima à escola, e eles reagiram atirando.

Ainda no sul da Faixa de Gaza, os militares israelenses disseram ter encontrado um depósito com 150 granadas de morteiro. Eles entraram em confronto com combatentes que saíram de um túnel e com outros que se preparavam para disparar um míssil antitanque. 

Ashraf Goma, líder da facção moderada palestina Fatah em Rafah, disse à Reuters que havia feridos sangrando nas ruas da cidade, sem poderem ser socorridos. Ele contou ter visto um homem em uma carroça levando sete corpos para o hospital. “Os cadáveres estão sendo guardados em refrigeradores para sorvetes e em ambientes térmicos para flores e verduras.” 

Segundo o Exército israelense, mais de 55 foguetes foram disparados de Gaza contra Israel neste domingo. O repórter do Estado viu o disparo de dois deles, da costa mediterrânea. Estilhaços de um foguete interceptado por um míssil israelense caíram em um parque em Tel-Aviv, mas ninguém ficou ferido.

Na Cidade de Gaza, os ataques israelenses deixaram ao menos 71 mortos somente neste domingo, segundo o Ministério da Saúde. O total de palestinos mortos subiu para 1.822, a maioria civis, e mais de 9 mil feridos. Já Israel confirmou a morte de 64 soldados e 3 civis.

Ainda neste domingo, o tenente Hadar Goldin, que havia sido dado como capturado pelo Hamas, foi enterrado em Israel. Assim como outros dois militares israelenses, ele também foi morto na emboscada de combatentes do Hamas em um túnel perto de Rafah. O confronto pôs fim a uma breve trégua de 1h30, na manhã de sexta-feira. Israel havia acusado o Hamas de sequestrar o militar, mas a organização desmentiu. Seu corpo foi encontrado no sábado. 

No Cairo, representantes palestinos começaram a negociar uma trégua para o conflito. Israel não enviou representantes. As facções palestinas apresentaram um documento com suas principais reivindicações a mediadores egípcios. A pauta, que inclui o fim do bloqueio a Gaza, será entregue a Israel e aos EUA. COM EFE

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