Bombardeios de Israel matam 20 na Faixa de Gaza

Israel realizou na quinta-feira umafuriosa sequência de bombardeios que matou 20 palestinos naFaixa de Gaza, inclusive vários civis e crianças, além demilitantes islâmicos envolvidos no disparo de foguetes contra oterritório israelense. A Cruz Vermelha e a União Européia pediram moderação aIsrael. Em dois dias de confrontos, houve 33 mortos, incluindoum israelense atingido na quarta-feira por um foguete na cidadede Sderot -- a primeira vítima fatal desse tipo de incidentedesde maio. Na quinta-feira, quatro meninos palestinos que jogavamfutebol foram mortos na Faixa de Gaza. Um bebê morreu no ataquea um ministério controlado pelo grupo islâmico Hamas. As explosões continuaram noite adentro. Há dezenas deferidos no populoso território litorâneo palestino. Os incidentes desta semana são um mau prenúncio para avisita da secretária norte-americana de Estado, CondoleezzaRice, que vai na semana que vem a Israel e à Cisjordânia paratentar estimular o processo de paz, retomado precariamente emnovembro. Moradores disseram que soldados invadiram casas no sul deGaza. Um porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, queé inimigo do Hamas, acusou Israel de tentar solapar asnegociações de paz. Rice, que encontrou Olmert na quinta-feira em Tóquio, nãoquis comentar se pediu a ele que não usasse a "forçadesproporcional", mas disse que o Hamas deve parar de dispararfoguetes da Faixa de Gaza, região que está sob o controle dogrupo islâmico. Alguns desses foguetes atingiram a cidade de Ashkelon, maisdistante da fronteira, o que significa que os militantes estãousando mísseis soviéticos Katyusha, em vez dos artesanaisQassam, com menor alcance e potência. Sobre a morte dos quatro garotos, de 10 a 15 anos de idade,o Exército israelense disse que o alvo era um grupo quedisparava foguetes. Um outro ataque, contra uma van quetransportava refrigerantes e salgadinhos, matou um fabricantede munições de um grupo aliado ao Hamas. Dois funcionários dacompanhia elétrica local morreram no ataque à van. Pelo menos 11 dos mortos de quinta-feira eram militantes.Desde o início do mês, os bombardeios israelenses fizeram 66vítimas fatais. Em janeiro, foram 62 mortos na Faixa de Gaza. Embora muitos dos mortos estivessem armados, críticos deIsrael dizem que o número mostra uma reação desproporcional aosfoguetes lançados diariamente contra o território israelense,que em geral causam poucas vítimas, embora perturbem ocotidiano de cidades e aldeias israelenses próximas àfronteira. Houve grande comoção em Israel pela morte em Sderot de umhomem que era pai de quatro filhos. Um porta-voz da chancelariadisse que os foguetes "podem nos deixar sem escolha" senãoenviar tropas terrestres, cerca de dois anos e meio depois dadesocupação militar da Faixa de Gaza. Mas Olmert, certamente consciente de que uma invasãoprovocaria mais baixas em ambos os lados, pareceu maiscauteloso. "Estamos no auge da batalha", afirmou em Tóquio,para em seguida ressalvar que a guerra é "um longo processo",para o qual "não há fórmula mágica". (Reportagem adicional de Arshad Mohammed e Tova Cohen emTóquio, Nidal al-Mughrabi em Gaza, Atef Saad em Nablus e DanWilliams, Ori Lewis e Avida Landau em Jerusalém)

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