Bombas matam dez em mercado do Iraque

Três bombas explodiram nesta quinta-feira na cidade portuária de Basra, no sul do Iraque, deixando pelo menos dez mortos e dezenas de feridos, segundo fontes de segurança.

REUTERS

24 de novembro de 2011 | 17h09

Basra, 420 quilômetros a sudeste de Bagdá, é a principal cidade do sul do Iraque, região habitada majoritariamente por xiitas, além de ser o principal terminal de exportação de petróleo do país.

A partir de sexta-feira, a cidade receberá uma importante conferência reunindo funcionários nacionais e internacionais do setor, inclusive de empresas como Exxon e Shell.

Duas bombas escondidas em um triciclo motorizado explodiram em rápida sucessão no mercado da zona norte de Basra, e um terceiro dispositivo foi detonado logo depois, quando curiosos se aglomeravam no local, segundo duas fontes policiais.

Noufal Hassan, dono de uma loja de celulares nos arredores, disse ter ouvido as duas primeiras explosões no "Mercado dos Ladrões."

"Imediatamente saí da minha loja e vi sangue ... Braços, mãos e pernas, corpos espalhados pelas ruas. As lojas mais próximas estavam em ruínas, e carros estavam queimados."

Os atentados ilustram a frágil situação da segurança no Iraque a poucas semanas da retirada dos últimos 18 mil soldados dos EUA, encerrando definitivamente uma ocupação militar que durou quase nove anos.

Autoridades iraquianas já alertaram que militantes podem intensificar seus ataques com a retirada das tropas norte-americanas. Todos os meses, insurgentes sunitas e milícias xiitas realizam atentados a bomba e de outros tipos.

Fontes hospitalares disseram que os atentados em Basra mataram dez pessoas e feriram 55. Uma fonte policial disse que foram 12 mortos e 42 feridos.

A maioria das vítimas era de policiais e militares, incluindo alguns de alta patente, segundo Ali al-Maliki, chefe do comitê provincial de segurança. "As impressões digitais de baathistas e da Al Qaeda estão claras nessas explosões", disse ele.

As autoridades iraquianas frequentemente acusam ex-integrantes do Partido Baath, que governava o país durante o regime de Saddam Hussein, de tentar desestabilizar a frágil coalizão atual, encabeçada pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

O governo recentemente prendeu mais de 600 ex-comandantes militares e baathistas, acusando-os de tramar a tomada do poder após a desocupação norte-americana.

Em Ramadi, oeste, uma bomba explodiu em um mercado lotado, deixando cinco feridos, segundo a polícia.

(Reportagem de Aref Mohammed)

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