Bombas matam quase 60 pessoas em aniversário de invasão do Iraque

Em Bagdá, mais de uma dezena de carros-bomba e homens-bomba explodiram em bairros xiitas

Reuters

19 de março de 2013 | 15h28

BAGDÁ - Mais de uma dezena de carros-bomba e homens-bomba explodiram em bairros xiitas na capital do Iraque, Bagdá, e em outras regiões nesta terça-feira, matando quase 60 pessoas no 10º aniversário da invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou Saddam Hussein.

Insurgentes islâmicos sunitas ligados a Al-Qaeda estão recuperando terreno no Iraque, revigorados pela guerra na vizinha Síria, e aumentaram os ataques contra alvos xiitas, tentando provocar um confronto sectário mais amplo.

Um carro-bomba explodiu em um movimentado mercado de Bagdá, três foram detonados no distrito xiita de Sadr City e outro perto da entrada da fortemente guardada Zona Verde, enviando uma coluna de fumaça negra para o ar ao lado do rio Tigre.

Um homem-bomba dirigindo um caminhão atacou uma base da polícia em uma cidade xiita ao sul da capital, e outro se explodiu dentro de um restaurante para alvejar um major da polícia na cidade de Mosul, no norte. "Eu estava dirigindo meu táxi e de repente senti meu carro balançar. Fumaça surgiu de todo lado. Vi dois corpos no chão. As pessoas corriam e gritavam por toda parte", disse Ali Radi, um taxista pego em uma das explosões em Sadr City.

A guerra do Iraque começou logo antes do amanhecer em Bagdá na quinta-feira, 20 de março de 2003, com bombardeios norte-americanos sobre a capital. Logo depois, o presidente George W. Bush, falando aos norte-americanos na televisão na noite de 19 de março em horário nobre, disse que a ofensiva estava em curso.

Agora, uma década depois de as tropas ocidentais e norte-americanas terem tirado Saddam do poder, o Iraque ainda luta com insurgentes, fricção sectária e rixas políticas entre facções xiitas, sunitas e curdas que compartilham o poder no governo do primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki.

Em um sinal da preocupação sobre a segurança, o gabinete adiou nesta terça-feira as eleições locais em duas províncias, Anbar e Nineveh, por até seis meses por ameaças a funcionários eleitorais e violência ali, segundo o assessor de mídia de Maliki, Ali al-Moussawi.

Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques de terça-feira, mas o Estado Islâmico do Iraque, uma ala da Al-Qaeda, prometeu recuperar terreno perdido na guerra com as tropas norte-americanas. Neste ano o grupo lançou vários ataques ostensivos. A violência ainda está menor do que no auge da carnificina sectária que matou dezenas de milhares depois que islâmicos sunitas bombardearam o santuário xiita de Al Askari em 2006, provocando uma onda de retaliação de milícias xiitas.

Mas autoridades da área de segurança dizem que a ala local da Al-Qaeda está se reagrupando no vasto deserto da província de Anbar, que faz fronteira com a Síria, e homens-bomba vêm lançando ataques quase que duas vezes por semana desde janeiro, um índice não visto por vários anos no Iraque.

Para complicar ainda mais a segurança, milhares de manifestantes sunitas também estão se reunindo em Anbar contra Maliki, cujo governo liderado por xiitas eles acusam de marginalizar a seita minoritária deles desde a queda do sunita Saddam.

A guerra na Síria também está incentivando a mistura volátil do Iraque. O Iraque está exposto a uma disputa regional por influência entre a Turquia, que apoia os rebeldes sunitas que combatem o presidente Bashar Assad, e o Irã xiita, o principal aliado do líder sírio. A fé alauíta de Assad é uma ramificação do Islã xiita.

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