Brasil irá advertir Irã sobre construção de armas nucleares, diz Lula

Presidente afirmou que irá alertar Ahmadinejad sobre consequências do desenvolvimento de armas atômicas

14 de abril de 2010 | 19h52

Reuters

 

BRASÍLIA- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 14, que irá falar ao seu colega iraniano, President Mahmoud Ahmainejad, que seu país irá sofrer as consequências se desenvolver armas nucleares.

 

Veja também:

linkPara Irã, relação com Brasil deve ser modelo

linkLula pede pelo Irã, mas Obama ignora 

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

 

Lula, que tem visita agendada ao Irã, disse que iria conversar face a face com Ahmadinejad e avisá-lo.

 

Lula estará em Teerã em 16 de maio. Segundo o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, Turquia e Brasil seriam especialmente qualificados para intermediar a questão iraniana, porque os dois países "têm boas relações com o Irã".

 

O país defende que se tente novamente um acordo nos moldes do proposto no ano passado pela Agência Internacional de Energia Atômica, segundo o qual o Irã entregaria seu urânio para ser enriquecido em outro país (Rússia ou França, por exemplo).

 

O Brasil também ironizou o suposto apoio da China às sanções. "Só sabemos como a China se sente em relação às sanções por meio da Casa Branca e do porta-voz do Departamento de Estado", ironizou o ministro.

 

Reunião

 

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, China, Rússia, França e China - e a Alemanha se reuniram nesta quarta para tratar de uma possível aplicação de sanções ao Irã por conta do controvertido programa nuclear deste país.

 

Os EUA, apoiados por Alemanha, França e Reino Unido, pressionam pela adoção rápida das resoluções contra os iranianos, mas a Rússia e a China se mantêm reservadas sobre tais decisões. Os russos já acenaram positivamente para apoiar as medidas, mas os chineses ainda acreditam na diplomacia.

 

Essa é a segunda reunião que conta com a presença de todos os membros permanentes do Conselho de Segurança desta semana. A primeira ocorreu na terça-feira, dia 13, simultaneamente à conferência sobre segurança nuclear convocada pelo presidente americano, Barack Obama.

 

As potências ocidentais alegam que o programa nuclear iraniano pode ter finalidades bélicas, o que Teerã nega. Segundo o governo iraniano, o país repudia o uso de armas atômicas e mantém o enriquecimento de urânio apenas para gerar energia para seus reatores de pesquisa.

 

Esperanças

 

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse nesta quarta que acredita ainda ser possível reviver um acordo, acreditado como congelado, com o qual o Irã poderia enviar a maioria de seu urânio pouco enriquecido para ser processado no exterior.

 

Davutoglu disse a repórteres que noticiou uma mudança na posição iraniana durante vários meses os quais ele visitou Teerã por doze meses, a maioria em março.

 

"Há um desenvolvimento positivo e uma mudança da abordagem", disse Davutoglu. "Nós temos uma chance e se continuarmos essa diplomacia, acho que conseguiríamos alcançar uma solução".

 

De acordo com diplomatas ocidentais, o Irã concordou "em princípio" em aceitar um acordo para enviar a maioria de seu urânio pouco enriquecido para o exterior durante um encontro em Genebra em outubro com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

 

No entanto, Teerã ignorou um pedido dos Estados Unidos para uma decisão formal - vista como um modo de inspirar confiança e começar a dissuadir preocupações de que estaria construindo armas nucleares - no final deste ano.

 

Como resultado, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU começam a discutir uma quarta rodada de sanções contra Teerã, que afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.