Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Brasil pode mudar de posição a favor de sanções ao Irã

Amorim lamenta enriquecimento de urânio de Teerã a 80%, mas não cerra as portas para a negociação

Efe e Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 18h13

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira, 11, que não tem conhecimento oficial de que o Irã pode efetivamente enriquecer urânio a 80%, mas afirmou que isso seria algo que "lamentaria".

 

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"Ainda não tive notícias. Não houve declaração a respeito e lamentaria se fosse verdade, porque isso seria um nível elevado", declarou Amorim em uma coletiva de imprensa junto ao seu colega Carl Bildt.

 

O chanceler brasileiro reconheceu que o programa

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nuclear iraniano "já estaria violando o Tratado de Não Proliferação Nuclear" ao enriquecer urânio a 80%, e disse avaliar se mudaria sua postura quanto a aplicação de sanções a República Islâmica.

 

Amorim admitiu que o tema causa preocupação. "Todos nós estamos preocupados. Eu também estava muito preocupado com o Iraque (antes do início da guerra, em 2003) e fiquei mais preocupado depois", insistiu. "Eu fico preocupado também em encontrar o caminho certo."

 

Antes do anúncio do Irã de que iria enriquecer seu urânio a níveis elevados, o Brasil vinha se mostrando firmemente contra aplicar sanções a Teerã, e favorável a busca de um diálogo.

 

Embora tenha adiantado sua opinião de que possa haver um "limite" nesse imbróglio nuclear que opõe o Irã ao Ocidente, Amorim insistiu que é preciso fazer um "esforço" de diálogo em prol de uma "solução pacífica". Pelo segundo dia consecutivo, sugeriu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chame a Viena os negociadores iranianos para darem explicações sobre as recentes declarações de Ahmadinejad e de outras autoridades do país, que causaram reações mundo afora.

 

Em atitude defensiva, Amorim justificou a insistência do governo brasileiro pela via da negociação, em um momento em que cinco das seis das potências nucleares estão convencidas de que a imposição de sanções é o único meio de forçar o Irã a retomar o diálogo sobre o acordo de troca de urânio enriquecido a baixos teores por combustível nuclear, intermediado pela AIEA. O chanceler argumentou que a preocupação do Brasil é idêntica à dessas potências - a garantia de que não haverá proliferação de armas atômicas.

 

"Quando dizem que nós não deveríamos entrar, que isso é uma confusão, uma saia-justa, essas pessoas se esquecem que o mundo é um só e que, se houver um problema grave no Irã, pode haver uma série de efeitos, desde o aumento do preço do petróleo até uma catástrofe humanitária, como aconteceu no Iraque antes da guerra", ponderou.

 

"O grande problema nessa questão é a confiança. Qualquer ação, especialmente do Irã, pode gerar desconfiança. Preferiríamos que o país não houvesse iniciado o enriquecimento a 20%, mas não creio que isso cerre as portas da negociação", acrescentou Amorim.

 

Já o chefe da diplomacia sueca se manifestou sobre o programa nuclear iraniano ao afirmar que "tem que haver um acordo político em algum momento, mas há pressões crescentes no Conselho de Segurança e o Irã deve tomar conhecimento disso".

 

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad, disse nesta quinta durante as celebrações do 31º aniversário da Revolução Islâmica, que seu país já é um "Estado nuclear" que dispõe de tecnologia para enriquecer urânio a 80%.

 

Apesar de declarar que no momento não está interessado a chegar a esse nível, Ahmadineyad revelou que cientistas iranianos conseguiram produzir, em apenas dois dias, o primeiro pacote de urânio enriquecido a 20%.

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