Brasil receberá Ahmadinejad, apesar de usina nuclear secreta

Lula é favorável a manter diálogo com Irã sob o argumento de que 'política do encuralamento' não funciona

EFE

25 de setembro de 2009 | 16h34

O Governo do Brasil receberá no dia 23 de novembro o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, como estava previsto, apesar de ter sido revelado que esse país construiu uma usina nuclear secreta, segundo disse nesta sexta-feira, 25, o assessor presidencial, Marco Aurélio García.  

 

 

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"O presidente Ahmadinejad visitará o Brasil no dia 23 de novembro", confirmou García em Pittsburgh (EUA), onde hoje termina a cúpula do G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes. O assessor disse que o Brasil é a favor de manter o diálogo com o Irã, apesar de que os Estados Unidos, Reino Unido e França denunciaram a instalação atômica secreta.

 

"Nós queremos encurralar o Irã ou queremos mudar a política nuclear do Irã? A política do Brasil é mudar a política nuclear do Irã e garantir firmemente que ele não terá uma bomba nuclear", explicou García.

"A política de encurralamento já sabemos em que acaba, no Paquistão e na Coreia do Norte", acrescentou o funcionário brasileiro, em referência a dois países que desenvolveram armas atômicas à margem do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou o assunto com seu colega americano, Barack Obama, em uma conversa informal momentos antes da abertura da sessão desta sexta da cúpula, informou o embaixador brasileiro na Casa Branca, Antônio Patriota.

 

Obama disse a Lula que lhe parecia positivo que o Brasil conversasse com o Irã. Esteve de acordo com a tese do presidente Lula de que não é produtivo isolar o Irã e que é bom que o Irã fale com pelo menos alguns países.A Casa Branca não fez comentários sobre a conversa.

 

Ameaça

 

O governo do Irã revelou a existência da segunda usina de enriquecimento de urânio em uma carta enviada ao chefe da agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed El Baradei, no início da semana. O governo do Irã já havia admitido a existência de uma usina de enriquecimento de urânio em Natanz, que está sendo monitorada por inspetores da AIEA.

 

Fontes afirmam que a usina - construída dentro de uma montanha perto da cidade sagrada de Qom, a 100 quilômetros de Teerã - ainda não está completa, mas poderia estar operando já no ano que vem. acredita-se que a planta seja capaz de abrigar cerca de 3 mil centrífugas, as máquinas usadas no enriquecimento de urânio.

 

Líderes ocidentais classificaram a usina como um desafio direto à comunidade internacional. "Eles (os EUA, a Grã-Bretanha e a França) irão se arrepender deste anúncio", respondeu Ahmadinejad durante coletiva nesta sexta-feira, em Nova York.

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