Brasil vê flexibilidade do Irã e janela para acordo

O governo brasileiro vê uma janela de oportunidade e disposição do Irã para alcançar uma solução negociada a respeito do programa nuclear da República Islâmica, disse o chanceler Celso Amorim à Reuters nesta sexta-feira.

RAYMOND COLITT, REUTERS

07 Maio 2010 | 15h44

"Eu acho que existe um espaço. Eu notei na liderança iraniana uma forma mais pragmática", afirmou Amorim em entrevista. "Notei um interesse em avançar."

O chanceler se reuniu na semana passada em Teerã com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e com outras autoridades da República Islâmica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viajará ao Irã no fim da semana que vem, também buscará uma solução negociada com Teerã, disse Amorim.

Ahmadinejad disse na quarta-feira que aceitava em princípio uma mediação brasileira.

Países do Ocidente temem que o Irã esteja desenvolvendo uma arma atômica. E Teerã afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos, como a geração de energia.

Apesar dos sinais de disposição, o Irã tem que mostrar claramente mais flexibilidade para aceitar uma proposta da Organização das Nações Unidas para a troca de urânio com o objetivo de resolver o prolongado impasse, disse o chanceler.

"O que nós defendemos é que o Irá faça isso de uma maneira aberta, com menos condicionalidades", afirmou Amorim, acrescentando que o tempo está se esgotando.

"Esse sinal deveria ser logo. Esse mês de maio é um mês fundamental para a gente saber se vai haver uma possibilidade de continuar, ou se cada um tomará seu caminho."

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