Brown diz que economia é chave para paz no Oriente Médio

Na Cisjordânia, premiê britânico critica expansão de assentamentos israelenses em territórios palestinos

Agências internacionais,

20 de julho de 2008 | 10h48

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou em Israel neste domingo, 20, que o desenvolvimento econômico é a chave para a paz no Oriente Médio. Esta é a primeira viagem do premiê ao país e aos territórios palestinos desde que assumiu o cargo e acontece um dia após ele ter afirmado que o governo israelense deve interromper a construção de assentamentos e prometer mais investimentos para auxiliar a economia palestina.  Veja também:  Refém britânico 'cometeu suicídio' no Iraque, diz jornal A visita de Brown foi ofuscada pelo anúncio de uma milícia xiita iraquiana, responsável pelo seqüestro de cinco britânicos, de que um dos reféns teria cometido suicídio no mês de maio. Ao chegar em Israel, Brown se encontrou com o presidente Shimon Peres e afirmou que a região precisa de "um mapa econômico para a paz", incluindo o desenvolvimento de parques industriais, projetos habitacionais e apoio ao pequeno negócio. O premiê britânico afirmou que apóia os que entendem que a "perspectiva de prosperidade encoraja as pessoas a ver que a violência é algo com um preço inaceitável a ser pago, e que deveria ser rejeitada". Fim dos assentamentos Brown começou a viagem nos territórios palestinos na cidade de Belém, onde se encontrou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e visitou a Igreja da Natividade. O chefe de governo britânico se mostrou favorável a uma Jerusalém que seja capital de israelenses e palestinos. Em entrevista coletiva realizada em Belém, Brown defendeu o estabelecimento de um Estado palestino delimitado pelas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou Gaza e Cisjordânia. O premiê defendeu "uma solução justa baseada no estabelecimento de dois Estados com Jerusalém como capital para os dois povos". Os israelenses consideram que Jerusalém é a "capital eterna e indivisível do povo e do Estado judeu", mas os palestinos pedem a metade leste como capital para o futuro país. Durante sua visita a Belém, Brown anunciou uma ajuda de US$ 60 milhões à ANP, que se dividirá entre assistência direta ao orçamento do governo da Autoridade e financiamento a diferentes projetos nos territórios ocupados. Também condenou a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia que, assegurou, é completamente contrária aos interesses do Quarteto de Madri para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU) e que tenta impulsionar o processo de paz no Oriente Médio. "É necessário deter a expansão dos assentamentos e a violência", disse Brown. Em Gaza, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, chamou Brown a visitar a Faixa para conhecer as conseqüências do bloqueio israelense ao território desde que o movimento islâmico tomou o poder do local, em junho de 2007. "Pedimos a Brown que visite Gaza para que veja o nível de desastre humanitário causado pela ocupação israelense com a participação de um número de países europeus entre os quais, infelizmente, se inclui o Reino Unido", disse Haniyeh. Seqüestro no Iraque Em Jerusalém, Brown pediu "a libertação imediata" dos cinco britânicos seqüestrados desde maio de 2007 no Iraque e disse que esses homens "já sofreram o suficiente". A declaração foi feita aos meios de comunicação britânicos depois de o jornal The Sunday Times divulgou um vídeo dos supostos seqüestradores no qual afirmam que um dos cinco reféns, identificado como Jason, se suicidou. Até o momento, o governo britânico não confirmou a veracidade da informação. Brown considerou que esse vídeo "repugnante" só causará mais angústia para as famílias, que tem sofrido bastante, e explicou que durante sua visita ao Iraque, no sábado, conversou sobre o assunto com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e com autoridades americanas no país. "Trabalharei com o governo iraquiano, como disse ao primeiro-ministro Maliki ontem (sábado), para conseguir sua libertação, e faremos tudo o que estiver em nosso alcance para trabalhar com quem estiver em posição de nos ajudar a libertar esses reféns", disse. Os seqüestradores, a autodenominada Resistência Islâmica Xiita no Iraque, seqüestraram os cinco britânicos - um técnico de informática e seus guarda-costas - em 29 de maio do ano passado no Ministério das Finanças iraquiano, no centro de Bagdá. Em um vídeo anterior, divulgado em fevereiro deste ano, o grupo exigiu a libertação de nove presos iraquianos em troca da libertação dos cinco britânicos.

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