Brown visita Iraque após acordo para retirada britânica

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse nesta quarta-feira em Bagdá que as tropas britânicas deixarão o Iraque no ano que vem, depois de "construírem uma democracia para o futuro". Sua quarta viagem ao Iraque como premiê ocorreu um dia depois de o gabinete iraquiano ter redigido um projeto de lei que estabelece a retirada das forças britânicas em meados de 2009, após mais de seis anos de presença. A visita ocorre também dias depois da passagem do presidente dos EUA, George W. Bush, que teve de se esquivar de sapatos atirados por um jornalista indignado com a violência e a ocupação. Por razões de segurança, a viagem de Brown não foi anunciada de antemão. Pouco depois de um encontro dele com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al Maliki, duas bombas em Bagdá mataram 18 pessoas e feriram 53, num sangrento lembrete de que a violência, embora menor do que há alguns meses, continua assombrando o país. "O papel desempenhado pelas forças de combate do Reino Unido está se aproximando do final. Essas forças terão completado suas tarefas no primeiro semestre de 2009, e vão então deixar o Iraque", disseram Brown e Maliki, em nota conjunta. "Mas a parceria entre os dois países vai continuar e assumir novas dimensões." A Grã-Bretanha, que foi potência colonial do Iraque, foi a principal aliada dos EUA nesta guerra. O país chegou a ter 45 mil soldados no Iraque, mas o governo retirou gradativamente o contingente, por causa da oposição popular ao conflito. Atualmente, há apenas 4.100 soldados britânicos, concentrados na região de Basra (sul), para onde Brown rumou após uma breve passagem por Bagdá. A retirada deve ajudar Londres a dedicar mais ênfase à guerra no Afeganistão, onde o Taliban e outros grupos militantes estão ampliando seus ataques. A Grã-Bretanha já anunciou a transferência imediata de helicópteros do Iraque para o Afeganistão, ajudando a transportar seus 8.300 militares no país da Ásia Central. Por enquanto, no entanto, não há planos de ampliar esse contingente. Fontes britânicas de defesa afirmam que se tornou praticamente impossível manter duas operações militares simultâneas, pois os quartéis já estariam sobrecarregados. A lei iraquiana que estabelece os termos para a retirada britânica vale também para os soldados de Austrália, Estônia, Romênia, El Salvador e Otan. O texto, que ainda precisa ser aprovado no Parlamento, estabelece o fim das operações de combate até o final de maio, e a retirada até meados de julho. Uma lei semelhante, aprovada anteriormente, estabelece a presença militar dos EUA até o final de 2012. Ambas as leis formalizam a presença militar estrangeira no Iraque a partir do final deste mês, quando termina o mandato da ONU para a ocupação.

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