Bush cita Vietnã para defender permanência no Iraque

Presidente afirma que retirada americana no país do leste asiático resultou no sofrimento de milhões

Associated Press e Reuters,

22 de agosto de 2007 | 17h38

Indiferente aos riscos que uma comparação do tipo poderia suscitar, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quarta-feira, 22, que uma retirada das tropas americanas do Iraque poderá levar a um cenário parecido ao observado no Vietnã após a derrota americana.   Veja Também Bush reitera apoio a Maliki Ninguém deve intervir no governo, diz Maliki Queda de helicóptero mata 14 americanos   "Três décadas após (a derrota no Vietnã) existe um debate legítimo sobre como entramos na Guerra do Vietnã e como saímos," disse Bush. "Qualquer que seja a sua opinião no debate, não há dúvidas que o nosso legado do Vietnã é que o preço da retirada americana foi pago com as vidas de milhões de cidadãos inocentes, cujas agonias acrescentaram ao nosso vocabulário novos termos como Boat people (balseiros), 'campos de reeducação', e 'campos de extermínio,'" disse Bush, em referência a eventos que ocorreram não na República Popular do Vietnã, com exceção dos barcos de refugiados, ou balseiros, mas no vizinho Camboja.   Falando a milhares de veteranos de guerra americanos, muitos dos quais com passagens pela Ásia, Bush aplainou o terreno para um importante relatório a ser entregue em meados de setembro, que deve mostrar algum progresso na segurança do Iraque, mas pouco avanço na reconciliação política.   Esse relatório, a ser redigido pelo comandante dos EUA no Iraque, David Petraeus, e pelo embaixador do país em Bagdá, Ryan Crocker, pode ser decisivo para que o Congresso determine a retirada ou permanência das forças norte-americanas.   A menção de Bush ao Vietnã é arriscada, algo que seu governo em geral tendia a evitar até agora.   Muitos democratas comparam o Iraque ao Vietnã, dizendo que o atual conflito é um atoleiro que exigiu muitas vidas e dinheiro dos EUA, sem trazer nada em troca.   O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, repudiou o paralelo histórico feito por Bush. "A tentativa do presidente Bush de comparar a Guerra do Iraque com os conflitos militares do passado no Leste da Ásia ignora a diferença fundamental entre eles," disse Reid. "Nossa nação foi corrompida pela administração Bush, que em uma tentativa de ganhar apoio à invasão do Iraque sob falsos pretextos liderou um dos erros mais estúpidos em política externa na nossa história," disse o senador democrata.   Democracias asiáticas   Bush também fez referências à luta contra o Japão na II Guerra Mundial (1939-1945) e à Guerra da Coréia (1950-1953) contra os comunistas coreanos e a República Popular da China.   "Os ideais e os interesses que levaram a América a ajudar os japoneses a transformarem a derrota em democracia são os mesmos que nos motivam a continuar engajados no Afeganistão e no Iraque", disse Bush no discurso.   "A estratégia de defesa que rejeitou a entrega dos sul-coreanos a um vizinho totalitário ajudou a levantar um tigre asiático que é modelo para países em desenvolvimento ao redor do mundo, inclusive no Oriente Médio", prosseguiu Bush.   A Guerra da Coréia deixou pelo menos um milhão de mortos e a infra-estrutura industrial do país, que estava na parte Norte, portanto nas mãos dos comunistas, aniquilada pelos bombardeios americanos. A guerra terminou em um empate sangrento em 1953 e na divisão do país asiático.   Bush também deu declarações positivas sobre o governo do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki,que está sob críticas crescentes da administração americana sobre a suposta inabilidade em resolver os conflitos políticos no país ocupado. Bush disse hoje que al-Maliki é um "bom homem com um trabalho difícil."

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