Bush diz que aliança dos EUA com Israel é 'inquebrável'

Americano afirma que negociar com grupos terroristas seria como conversar com nazistas na Segunda Guerra

Agências internacionais,

15 de maio de 2008 | 10h45

Em seu primeiro discurso ao Parlamento israelense realizado nesta quinta-feira, 15, o presidente americano, George W. Bush, reiterou que os Estados Unidos possuem uma aliança "inquebrável" com o Estado judeu e reiterou que Washington se encarregará de garantir a segurança de Israel, para que o país nunca desapareça. Bush afirmou ainda que negociar com o "grupos terroristas", referindo-se ao Hamas, é como conversar com os nazistas antes da Segunda Guerra Mundial.   Veja também:   Bush visita a fortaleza de Massada   Obama diz que Bush o acusa de ser conciliador com ditadores   Em um discurso cheio de referências históricas e religiosas, Bush reafirmou a sua amizade profunda e o seu compromisso com Israel, país que qualificou como "exemplo de democracia para todo o Oriente Médio". Ele também denunciou o anti-semitismo, especialmente dos que querem "varrer Israel do mapa". "Nós acreditamos que a liberdade religiosa é fundamental para uma sociedade civilizada, portanto condenamos o anti-semitismo em todas suas formas, seja dos que abertamente questionam o direito de Israel existir, seja de outros que calmamente os desculpam", disse Bush.   O presidente norte-americano fez um discurso no Knesset, o Parlamento israelense. Segundo ele, os Estados Unidos têm um vínculo permanente com Israel. Bush afirmou que os norte-americanos acreditam que Israel tem o direito de se defender dos extremistas e "assassinos comprometidos com sua destruição". "Algumas pessoas sugerem que, se os Estados Unidos simplesmente rompessem com Israel, todos os problemas no Oriente Médio acabariam", disse. Para ele, essa postura pertence aos "inimigos da paz", ou aos influenciados pela propaganda deles. "A população de Israel pode ser de apenas 7 milhões. Mas quando vocês enfrentam o terror e o mal, vocês são vigorosos 307 milhões, porque os Estados Unidos da América estão ao seu lado."   Durante o discurso, além de saudar o aniversário, o presidente dos EUA dirigiu críticas ao Irã. "Permitir que o principal responsável pelo terrorismo possua as armas mais mortíferas do mundo seria uma traição imperdoável para as futuras gerações", disse. "Pelo bem da paz, o mundo não pode permitir que o Irã tenha uma arma nuclear". Ele também criticou a organização libanesa Hezbollah, os palestinos do Hamas e a Al-Qaeda, afirmando que a situação é como uma "velha batalha entre o bem e o mal", e que todos esses movimentos "são derrotados".   Teerã é alvo de críticas internacionais - e já sofreu sanções do Conselho de Segurança da ONU - por causa de seu programa nuclear. Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. Teerã nega as acusações e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica.   Antes do discurso, Bush criticou as negociações com "terroristas e radicais" e comparou os pedidos para que as conversas de paz incluam estes grupos como uma "desilusão tola" que foi sugerida antes da Segunda Guerra Mundial. "Enquanto tanques nazistas cruzaram a Polônia em 1939, um senador americano disse: 'se ao menos eu tivesse conversado com Hitler, tudo isso poderia ser evitado'", disse Bush. "Nós temos a obrigação de considerar essa iniciativa como o que ela representa - o falso conforto da reconciliação, que repetidamente foi desacreditado pela história".   "Masada nunca voltará a cair. Os Estados Unidos estarão a seu lado", disse Bush, arrancando aplausos na Câmara ao fazer referência a essa fortaleza, que visitou hoje e foi o último reduto de resistência judaica frente ao Império Romano, há dois mil anos. Bush lembrou que, atualmente, os soldados israelenses fazem juramento à bandeira prometendo que a Masada não voltará a cair. O presidente americano também recebeu uma longa ovação quando pronunciou em hebraico as palavras "Feliz Dia da Independência". Ao lembrar Ariel Sharon, disse que "as orações do povo americano" estão com o ex-primeiro-ministro israelense, em coma há dois anos.   Processo de paz   Bush realiza uma viagem de cinco dias ao Oriente Médio. Além de Israel, visitará o Egito e a Arábia Saudita. A intenção do presidente, além de marcar a data festiva de Israel, é avançar no processo de paz desse país com os palestinos. Antes da fala de Bush, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse estar pronto para a paz e trabalha junto com os EUA para isso.   Olmert afirmou ter a esperança de chegar a um acordo "baseado em dois Estados para dois povos, um Estado judeu e um Estado palestino, vivendo lado a lado e em paz". Em seguida, o primeiro-ministro israelense completou: "Esse acordo será aprovado no Knesset por uma grande maioria e será apoiado pela vasta maioria do povo israelense."   O Parlamento reagiu com silêncio e risos nervosos. Então Bush começou a rir. Dois deputados ultraconservadores se retiraram em protesto. Quando Bush começou a falar, três deputados ergueram um cartaz com os dizeres: "Nós vamos dominar". Seguranças se aproximaram e retiraram o trio do local.

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