Bush e aliados querem pressão sobre Irã, apesar de relatório

O Irã comemorou na terça-feira orelatório de inteligência dos EUA que contradiz as acusaçõesprévias do governo Bush de que a República Islâmica estariadesenvolvendo armas nucleares, mas o presidente George W. Bushdisse que o Irã continua sendo um perigo e que a pressãointernacional deve ser mantida. A Estimativa de Inteligência Nacional (EIN) divulgada nasegunda-feira surpreendeu amigos e inimigos dos EUA, após anosde estridentes acusações de Washington. O Irã disse que o relatório comprova o que o país diz háanos: que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas paraa geração de eletricidade com fins civis. A nova Estimativa Nacional de Inteligência norte-americanasurpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irãsuspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares, emboracontinue incrementando sua capacidade de enriquecer urânio.Durante anos, Washington acusou Teerã, com retórica cada vezmais dura, de tentar desenvolver bombas atômicas. "É natural que saudemos quando esses países que no passadotinham dúvidas e ambigüidades sobre este caso agora emendamrealisticamente suas opiniões", disse o chanceler ManouchehrMottaki a uma rádio local. "A condição das atividades nuclearespacíficas do Irã está ficando clara para o mundo." O relatório oficial norte-americano teve impacto imediatosobre as manobras em curso para reforçar as sanções da ONU. AChina, que aceitara com relutância não usar seu poder de vetonos dois pacotes de punições já impostos a Teerã, disse que aEIN cria novas condições. "Acho que todos partimos dopressuposto de que agora as coisas mudaram", disse o embaixadorchinês na ONU, Guangya Wang. A França e a Grã-Bretanha, a exemplo de Bush, defenderamque seja mantida a pressão contra o Irã, enquanto Israel, quevê num Irã com armas nucleares uma ameaça à sua própriaexistência, demonstrou ceticismo com o relatório. Em entrevista coletiva em Washington, Bush disse que orelatório na verdade dá motivo para mais pressão, e que essaabordagem já se mostrou bem sucedida anteriormente. Segundo ele, o Irã desenvolve tecnologia nuclear e poderetomar um programa atômico militar secreto. "O Irã foiperigoso. O Irã é perigoso. E o Irã será perigoso se tiver oconhecimento necessário para fazer uma arma nuclear." Em Londres, um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Browndisse que o relatório confirma que havia motivo parapreocupação e que "o programa de sanções e a pressãointernacional estavam tendo um efeito, já que aparentementeeles abandonaram o elemento de aquisição da arma [nuclear]". A França, segundo uma porta-voz da chancelaria, tambémdefendeu que se continue "o trabalho pela introdução de medidasrestritivas no marco das Nações Unidas". As potências mundiais se reuniram no sábado passado emParis para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irãdevido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio,processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou,com grau maior de purificação, material para bombas nucleares. A ONU já impôs dois pacotes de sanções contra o programanuclear iraniano. Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA,um órgão da ONU) disse que o novo relatório dos EUA corroboraas conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos arespeito do Irã. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que acampanha internacional contra o programa nuclear iraniano deveser mantida. "É vital manter os esforços para evitar que o Irãdesenvolva uma capacidade como esta [de ter armas], e vamoscontinuar fazendo assim junto com nossos amigos, os EstadosUnidos", afirmou ele a jornalistas. (Reportagem adicional das redações em Paris, Viena,Jerusalém, Berlim, Pequim, Londres, Washington, Nações Unidas eMoscou)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.