Bush e Olmert reafirmam compromisso para paz com palestinos

Em entrevista com premiê, Bush disse estar 'otimista' com possibilidade de acordo antes do fim de seu mandato

Agências internacionais

09 de janeiro de 2008 | 17h06

O presidente americano, George W. Bush, e o premiê israelense, Ehud Olmert, reafirmaram nesta quarta-feira, 9, o compromisso de buscar um acordo pelo fim dos conflitos no Oriente Médio, embora Israel tenha reiterado que não hesitará em tomar qualquer medida contra o terrorismo e os ataques de foguetes lançados por palestinos. Em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro, Bush se declarou "otimista" de que israelenses e palestinos possam alcançar um acordo antes do fim de seu mandato, dentro de um ano. Veja TambémNo Oriente Médio, Bush volta a dizer que Irã é ameaça Olmert afirmou que os dois lados da negociação tentam "seriamente" buscar uma solução para a criação do Estado palestino. O premiê disse ainda que a Faixa de Gaza, região controlada pela facção islâmica Hamas, deve fazer parte dos planos de paz, mas alertou que um acordo será cada vez mais difícil de ser alcançado enquanto insurgentes palestinos lançarem foguetes contra comunidades de Israel instaladas na fronteira. "Os líderes dos dois lados estão determinados em fazer escolhas difíceis se necessário", afirmou Bush, que também declarou que o governo de Washington não pode ditar as regras do jogo, mas está disposto a ajudar no processo de paz na região. O presidente americano alertou ainda que Israel deve remover os assentamentos ilegais nos territórios palestinos. Viagem pelo Oriente Médio Bush deu início na quarta-feira a sua primeira visita a Israel e aos territórios palestinos como presidente dos EUA, afirmando identificar uma nova chance de paz que procurará incentivar. "Identificamos uma nova chance de paz aqui na Terra Santa e de liberdade em toda a região", afirmou Bush em uma cerimônia de boas-vindas. Acusado durante anos de negligenciar o conflito mais complicado do Oriente Médio, Bush percorreu o tapete vermelho estendido no aeroporto Ben-Gurion, em Tel Aviv, e falou sobre a obtenção de uma paz duradoura, algo que nenhum dos antecessores dele conseguiu. No entanto, não se prevê nenhum grande avanço nos três dias de visita que ocorrem depois da conferência internacional realizada em novembro sob o patrocínio dos EUA e que resultou em promessas de Israel e dos palestinos de tentarem selar um acordo sobre a criação de um Estado palestino antes do final do mandato de Bush, em janeiro de 2009. Bush tentará convencer Olmert e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, com quem se encontra dentro da Cisjordânia ocupada, na quinta-feira, a avançarem no frágil processo de paz relançado em Annapolis, Maryland (EUA). Mas Olmert e Abbas são considerados politicamente fracos e, segundo analistas, há poucas chances de um acordo sobre a criação de um Estado palestino ser firmado antes de Bush sair da Casa Branca. Há dúvidas sobre a seriedade das promessas feitas pelo dirigente norte-americano e sobre a capacidade dele de agir como um mediador equilibrado entre Israel, tradicional aliado dos EUA, e os palestinos. Depois de Israel, Bush seguirá para o Kuwait e em seguida irá para Barein, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Egito. Em Israel, onde Bush ficará até sexta-feira, o presidente está sendo recebido com um dos maiores esquemas de segurança da história do país. Mais de 8 mil policiais (cerca de um terço dos efetivos da polícia) estarão mobilizados durante as 48 horas da visita do presidente americano.Apesar da boa recepção na chegada do presidente, a visita oficial não foi bem recebida pelo grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza e foi o vencedor das eleições palestinas. "Bush não é bem-vindo porque ele é uma das principais razões do sofrimento do povo palestino", afirmou à BBC Sami Abu-Zhuri, oficial do Hamas. "Ele veio à região para trazer apoio moral, político e material para a ocupação israelense e também para aumentar a separação interna da Palestina", disse Zhuri.

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