Bush encontra líderes palestino e israelense para discutir paz

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, encontra nesta segunda-feira os líderespalestino e israelense para tentar retomar o processo de paz doOriente Médio ainda durante seu mandato, que termina daqui a 14meses. Mas há poucas expectativas para os três dias de conversasem Washington e na vizinha Annapolis, devido aos problemaspolíticos domésticos enfrentados por Bush, peloprimeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e pelo presidentepalestino, Mahmoud Abbas. Em uma boa notícia para os três, a Síria e a Arábia Sauditaprometeram participar da reunião de terça-feira em Annapolis --embora Damasco envie um vice-ministro, e não seu chanceler,como queriam os EUA. Washington diz que a parte mais difícil virá depois, quandoambas as partes terão de resolver as principais questões doconflito -- a definição das fronteiras, do futuro de Jerusalém,do destino dos refugiados e dos esquemas de segurança. "Esta conferência vai sinalizar apoio internacional para aintenção de palestinos e israelenses no sentido de iniciarnegociações para o estabelecimento de um Estado palestino e arealização da paz entre esses dois povos", disse Bush aorecepcionar os dois líderes, durante o fim de semana. Depois de sete anos praticamente ignorando a diplomacia noOriente Médio, Bush vai se reunir separadamente com Olmert eAbbas e posteriormente com os dois juntos. Depois, na terça-feira, cerca de 40 países, incluindo oBrasil, participam da conferência na Academia Naval deAnnapolis. A delegação brasileira será chefiada pelo ministrodas Relações Exteriores, Celso Amorim. Nabil Shaath, assessor de Abbas, disse à Reuters que depoisde Annapolis os envolvidos vão retomar os princípios já aceitossob o governo de Bill Clinton. "Isso nos permite não começar docomeço, mas continuar a partir de algo já definido", afirmou. Já Stephen Hadley, assessor de Segurança Nacional da CasaBranca, disse que palestinos e israelenses devem voltar ao"mapa da paz" proposto em 2003 pelo governo Bush, com propostasgraduais que levem ao fim do conflito. Abbas chega à conferência enfraquecido porque desde junhonão tem mais controle sobre a Faixa de Gaza, agora sob comandodo grupo islâmico Hamas, que não participa do evento nos EUA. "Qualquer decisão que surgir desta conferência não seráobrigatória para o povo palestino, apenas para os que asubscreverem", disse a jornalistas Ismail Haniyeh, que foiprimeiro-ministro num governo do Hamas, dissolvido por Abbas. Já Olmert está impopular devido a suspeitas de corrupção edo fracasso militar na guerra de 2006 no Líbano. Além disso,seus aliados de direita se opõem a concessões aos palestinos. Bush, por sua vez, enfrenta a insatisfação popular com aguerra do Iraque e já está no fim de seu mandato -- a campanhaeleitoral para a eleição de novembro de 2008 está a todo vapor. Num sinal das dificuldades, as partes envolvidas nãoconseguiram nem definir um documento conjunto a ser apresentadoem Annapolis -- embora Hadley e a secretária de EstadoCondoleezza Rice tenham minimizado a importância disso. Rice convidou a chanceler israelense, Tzipi Livni, e onegociador palestino, Ahmed Qurei, para um jantar no domingo,na tentativa de definir o documento preliminar. AharonAbramovitch, chefe-de-gabinete de Livni, disse que asdiscussões prosseguem na segunda-feira. (Reportagem adicional de Adam Entous em Washington e Nidalal-Mughrabi em Gaza)

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