Bush, frustrado, diz que iraquianos decidem futuro de Maliki

Premiê iraquiano, que se aproxima de inimigos dos EUA, perde apoio crucial para sua permanência no poder

Associated Press,

21 de agosto de 2007 | 13h42

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mostrou-se frustrado com o governo do premiê iraquiano, Nouri al-Maliki, mas disse nesta terça-feira, 21, que cabe à população do Iraque decidir se continuará a apoiá-lo ou não. Veja TambémEmbaixador americano diz que avanços no Iraque são decepção O presidente americano deixou claro que isso não dava um veredicto final ao governo de al-Maliki. "A questão fundamental é se o governo vai responder às demandas da população", disse Bush. "E se o governo não responder às demandas da população, eles vão substituir o governo. Essa decisão cabe aos iraquianos, não à políticos americanos". O apoio de Bush é vital para a sustentação do premiê no Iraque e, abstendo-se, o presidente americano priva Maliki de seu principal aliado. "Os iraquianos vão decidir", afirmou o presidente. "Eles decidiram que querem uma Constituição. Eles elegeram membros de seu Parlamento e vão tomar as decisões, como se faz em uma democracia". Bush falou em uma coletiva de imprensa ao concluir uma conferência de dois dias com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, e o presidente mexicano, Felipe Calderon. Um dia antes, o senador Carl Levin, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado americano, pediu à assembléia iraquiana que depusesse Maliki e repusesse seu governo com um teor menos sectário e mais unificado. Maliki, que perdeu apoio dos sunitas e de parte dos xiitas, sentiu-se obrigado a buscar apoio regional de países não muito amistosos aos EUA. Após visitar o Irã e seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, o premiê visitou o presidente da Síria, Bashar Assad, que prometeu ajudar nos esforços para a estabilização iraquiana. Os EUA já haviam criticado a visita de Maliki ao Irã e vinham manifestando a esperança de que o premiê enviasse uma "forte mensagem" ao governo sírio, mas o primeiro-ministro iraquiano disse não ter nenhuma mensagem dos americanos para entregar a Assad. "Vim aqui para trazer as mensagens do Iraque, não para ser mensageiro de outros", disse Maliki depois de uma reunião com o vice-presidente da Síria, Farouk al-Sharaa. A primeira visita oficial de Maliki à Síria faz parte de seus esforços em buscar a ajuda de países vizinhos para conter a implacável violência que devasta o Iraque. Os Estados Unidos freqüentemente acusam a Síria de não se empenhar para impedir o fluxo de militantes estrangeiros e de armas pela porosa fronteira compartilhada com o Iraque. A Síria rejeita as acusações de que estaria alimentando a insurgência antiamericana no Iraque e alega ser impossível controlar uma fronteira tão extensa e desértica.

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