Bush pede desculpas ao Iraque por tiros no Corão

Governo iraquiano afirma que presidente americano lamentou por livro sagrado do Islã alvejado em treinamento

Agência Estado e Associated Press, REUTERS

20 de maio de 2008 | 11h36

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu desculpas ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, por um soldado norte-americano que usou um exemplar do Alcorão para praticar tiro ao alvo. O pedido foi revelado em um comunicado divulgado nesta terça-feira, 20, por Bagdá.   A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que Bush tratou do caso durante uma videoconferência na segunda-feira. Ela disse que Bush demonstrou a Maliki sua "séria preocupação" com o caso. "Ele disse ao primeiro-ministro que nós levamos esse assunto a sério, e salientou que o soldado havia sido repreendido e retirado do Iraque por seus superiores", disse Dana. Ela não mencionou o pedido de desculpas de Bush, citado no comunicado divulgado pelo escritório de Maliki.   Segundo o texto, Maliki contou a Bush sobre o "desapontamento e raiva das pessoas e do governo do Iraque, por causa da infame ação do soldado". O comunicado ainda afirmava que Bush disse ao primeiro-ministro que o soldado, não identificado, seria julgado por isso.   Um outro comunicado, divulgado após uma reunião do gabinete iraquiano, pediu pela punição "mais severa" contra o militar. Além disso, advertiu para as "graves conseqüências" caso ações similares ocorram no futuro. O documento ainda pedia que os comandantes dos EUA eduquem os soldados no respeito às crenças religiosas dos iraquianos.   As forças militares dos Estados Unidos informaram que puniram o soldado e retiraram-no do Iraque. O "treinamento" com o Alcorão ocorreu em 9 de maio. Uma cópia do livro sagrado islâmico foi encontrada dois dias depois, por iraquianos, em Radwaniyah, a oeste de Bagdá. Havia 14 buracos de bala e também escritos a lápis no exemplar.   Os Estados Unidos se desculparam separadamente com outros nomes do país, como o vice-presidente, Tariq al-Hashemi, e o presidente do Parlamento, Mahmoud al-Mashhadani. Al-Hashemi pediu também uma desculpa por escrito dos militares norte-americanos.

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