Bush pede desculpas ao Iraque por tiros no Corão

O presidente dos Estados Unidos, GeorgeW. Bush, pediu desculpas ao primeiro-ministro Nuri Al Maliki eprometeu punir o soldado norte-americano acusado de usar umexemplar do Corão como alvo para tiros, disse o governo doIraque na terça-feira. Em nota, Bagdá disse que o pedido de desculpas foiapresentado pessoalmente por Bush em telefonema a Maliki. "O presidente norte-americano se desculpou em nome dosEstados Unidos, prometendo levar o soldado a julgamento",disse. Comandantes militares dos EUA no Iraque já haviam pedidodesculpas aos líderes iraquianos depois que um exemplar dolivro sagrado do Islã foi achado cravejado com mais de dezperfurações de balas num estande de tiro perto de Bagdá, em 11de maio. O soldado acusado de fazer os disparos já foi submetido asanções e retirado do Iraque. Os militares dos EUA nãoinformaram se ele será submetido à corte marcial. Em Washington, a porta-voz da Casa Branca Dana Perino disseque Bush já discutiu o assunto com Maliki "sobre o fato de queum de nossos soldados havia usado o Corão de formaabsolutamente inapropriada" e que ele havia expressadopreocupação e arrependimento sobre o incidente. Perguntada se isso era um pedido de desculpas, ela disse:"Acho que isso pode ser encarado assim". Bush afirmou que o soldado foi repreendido e removido doIraque, disse Perino. A porta-voz não disse se Bush haviaprometido que o soldado seria processado. Comandantes militares dos Estados Unidos realizaram umacerimônia para pedir desculpas formais e presentear com um novoCorão os líderes tribais da área onde aconteceu o incidente. Ocomandante número dois dos Estados Unidos no Iraque já seencontrou com líderes iraquianos para se desculpar. O exército descreveu o incidente como "sério e muitoproblemático", e ressaltou que os soldados norte-americanosrespeitam o Islã e o Corão. Não houve reação violenta no Iraque, como já aconteceu nomundo islâmico em outros episódios em que a fé muçulmana foivista como insultada, mas o governo iraquiano pediu que osoldado fosse punido severamente. O porta-voz do governo Iraquiano Ali al-Dabbagh disse que opedido de desculpas de Bush não bastava. "Precisamos julgar este soldado pois ele cometeu um crimegravíssimo. Isto é o que o governo iraquiano quer. Não estamossatisfeitos com apenas um pedido de desculpas", disse. O gabinete iraquiano disse que as Forças Armadas dosEstados Unidos deveriam ensinar seus soldados a respeitar oslocais e símbolos sagrados do islamismo. O incidente tem sido um embaraço para as Forças Armadas dosEstados Unidos, que vem trabalhando muito para melhorar suaimagem entre os iraquianos e para firmar alianças com líderestribais afim de lutar contra os militantes da sunita al Qaeda. (Reportagem de Aseel Kami em Bagdá e Jeremy Pelofsky emWashington)

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